Documento reúne propostas para os próximos 25 anos com foco em inovação e geração de oportunidades
Floresta em pé e inovação ganham protagonismo em plano de longo prazo — Foto: Adriano Gambarini/GOV

Como transformar o potencial da Amazônia em oportunidades econômicas e sustentáveis? Essa foi a principal discussão durante o lançamento da Agenda Zona Franca de Manaus (ZFM) 2050, realizado na última terça-feira (10), em Brasília (DF).

CONTINUA APÓS A PUBLICIDADE

Desenvolvido pela Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam) e pelo Centro da Indústria do Estado do Amazonas (Cieam), o documento reúne diagnósticos e propostas para os próximos 25 anos, visando ampliar a competitividade regional, diversificar a economia e transformar a combinação entre biodiversidade, ciência, tecnologia e indústria em um vetor permanente de crescimento.

Coração do Brasil

A iniciativa parte do entendimento de que a Amazônia concentra ativos estratégicos para o Brasil e para o mundo. No entanto, a região ainda enfrenta gargalos históricos relacionados à infraestrutura, logística, inovação e desenvolvimento social.

Ao apresentar a importância econômica da Zona Franca de Manaus, Antônio Silva, presidente da Fieam, ressaltou números expressivos registrados pelo modelo em 2025.

“Em 2025, tivemos um faturamento superior a US$ 41 bilhões e mais de 132 mil empregos diretos. Além de 600 mil postos de trabalhos indiretos induzidos em toda a Zona Franca de Manaus.”

Estratégia a longo prazo

Pensar o desenvolvimento amazônico exige planejamento de longo prazo. O presidente do Conselho Superior do Cieam, Luiz Augusto Rocha, afirmou que o documento representa um compromisso estratégico com o futuro da região e do país.

CONTINUA APÓS A PUBLICIDADE

Além disso, Rocha destacou que a manutenção das garantias constitucionais da Zona Franca durante a tramitação da Reforma Tributária permitiu ampliar o debate para temas como inovação, competitividade e diversificação produtiva.

“A Zona Franca de Manaus é uma política de Estado. O documento nos convida a olhar além das urgências e além dos ciclos eleitorais. Construir uma visão de longo prazo é uma estratégia sólida e ambiciosa.”

Luiz Augusto Rocha, presidente do Conselho Superior do Cieam, e Antônio Silva, presidente da Fieam — Foto: Divulgação

Desindustrialização preocupa especialistas

O diagnóstico econômico que sustenta a proposta foi apresentado por Márcio Holland, professor da Fundação Getulio Vargas (FGV) e ex-secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda.

Durante sua análise, o economista alertou para os impactos da desaceleração econômica e para a perda de participação da indústria na economia nacional.

“O Brasil desacelera e faz uma desindustrialização de forma prematura, antes mesmo de atingir uma renda per capita alta. Corremos o risco de nos tornar um país envelhecido e pobre.”

Segundo Holland, iniciativas como a Agenda ZFM 2050 tornam-se ainda mais relevantes ao oferecer caminhos para ampliar a competitividade e estimular novos investimentos produtivos.

Bioeconomia surge como oportunidade estratégica

De acordo com a empresária Rebecca Garcia, diretora da GBR Componentes e ex-deputada federal , muitos debates sobre a Amazônia ignoram as particularidades territoriais, sociais e logísticas da região.

“Há um grande equívoco em querer comparar a Amazônia com o resto do país. Nós vivemos em uma região que tem desafios permanentes.”

Ao abordar as perspectivas da bioeconomia, a empresária ressaltou que a Amazônia abriga uma das maiores reservas de biodiversidade do planeta, mas ainda enfrenta obstáculos que limitam seu aproveitamento econômico.

Rebecca Garcia, diretora da GBR Componentes — Foto: Divulgação

Além disso, ela defendeu maior integração entre setor produtivo e governo para garantir uma gestão mais eficiente dos recursos destinados ao desenvolvimento regional.

“O que a gente precisa é de planejamento. É uma contribuição da indústria, e ao lado da indústria precisa do acompanhamento do governo. Precisa ser compartilhada essa governança.”

Infraestrutura e logística

A necessidade de investimentos em infraestrutura também esteve no centro das discussões.

O deputado federal Capitão Alberto Neto ressaltou que o Amazonas preserva cerca de 97% da cobertura florestal e argumentou que as particularidades amazônicas precisam ser consideradas na formulação das políticas públicas.

Segundo o parlamentar, a ausência de investimentos contínuos em hidrovias e dragagem compromete tanto o abastecimento quanto o transporte de pessoas durante os períodos de seca.

Representando o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), o subsecretário de Ciência e Tecnologia para a Amazônia, Dorival da Costa dos Santos, destacou os impactos econômicos e sociais gerados pela Zona Franca ao longo das últimas décadas.

“É o maior experimento de desenvolvimento do mundo. Produzimos bens de ponta e geramos retorno econômico, industrial e social.”

Ao mesmo tempo, o representante do governo reforçou que a preservação ambiental deve permanecer como eixo central da estratégia regional.

‘Sem floresta em pé não há economia’, garante Dorival da Costa dos Santos — Foto: GOV

Desenvolvimento e preservação

O futuro da Amazônia dependerá da capacidade de transformar sua biodiversidade e estrutura produtiva em oportunidades concretas.

Para os defensores da Agenda ZFM 2050, esse processo exigirá planejamento de longo prazo, investimentos estruturantes e políticas capazes de conciliar crescimento econômico, inovação, bioeconomia e preservação ambiental.