O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quinta-feira (11) que o governo brasileiro enviará aos EUA os dados mais recentes sobre a redução do desmatamento no país. A medida ocorre em meio às discussões envolvendo uma possível ampliação de tarifas sobre produtos brasileiros exportados ao mercado norte-americano.
Durante visita ao Observatório Regional Amazônico (ORA), da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA), em Brasília, Lula disse que as informações serão encaminhadas ao representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer.
Segundo o presidente, o governo pretende apresentar os avanços ambientais alcançados pelo Brasil para contestar argumentos utilizados por autoridades americanas ao defenderem medidas tarifárias contra o país.
“Vamos ter que pegar esses dados e mandar para o cidadão do comércio dos Estados Unidos, que coloca a questão do desmatamento como justificativa para punir o Brasil com uma taxação maior”, declarou.
Além disso, Lula afirmou que o governo fará comparações entre os indicadores ambientais brasileiros e os resultados registrados pelos Estados Unidos.
“Agora é a hora da comparação. Eles mentiram na primeira vez que taxaram o Brasil em 50%, dizendo que tinha déficit comercial. Nós provamos que tiveram superávit muito alto em 15 anos”, pontuou.

Dados ambientais
De acordo com o presidente, parte das críticas feitas pelos Estados Unidos ao Brasil estaria baseada no desconhecimento das políticas implementadas para combater o desmatamento.
O tema ganhou ainda mais relevância após o governo americano recomendar, na semana passada, a aplicação de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros. A medida foi sugerida com base em investigações conduzidas pela Seção 301 do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR).
Entre os pontos analisados pelo órgão estão questões relacionadas ao desmatamento, ao etanol, ao sistema de pagamentos Pix e ao comércio popular da Rua 25 de Março.
Na quarta-feira (10), durante reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES), conhecido como Conselhão, Lula voltou a criticar as medidas protecionistas adotadas pelo governo de Donald Trump e questionou as críticas feitas ao desempenho ambiental brasileiro.
“Quero saber quais são os direitos que os trabalhadores [dos EUA] têm para vir um tal de diretor financeiro impor multa por causa do desmatamento. Será que eles não percebem que eles já estão carecas?”, afirmou durante discurso.
- Fenasucro & Agrocana 2026 amplia rastreabilidade de carbono e gestão de resíduos na bioenergia
- Senado aprova renegociação de dívidas do agro
Desmatamento em queda
Segundo um levantamento divulgado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o desmatamento registrou queda tanto no Cerrado quanto na Amazônia em maio deste ano, na comparação com o mesmo período de 2025.
No Cerrado, a redução foi de 12,2%. Já na Amazônia, a retração alcançou 61,4%.
Lula classificou os números como um resultado “extraordinariamente positivo” e destacou a importância da cooperação entre governos federal, estaduais e municipais. Além disso, defendeu o fortalecimento da estrutura dos órgãos responsáveis pela fiscalização ambiental.
Ministério do Meio Ambiente descarta motivação política
O ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, afirmou que a divulgação dos indicadores ambientais não teve o objetivo de responder diretamente ao governo americano.
Segundo ele, a publicação dos dados segue uma política de transparência adotada pelo Brasil há anos.
Ao comentar os resultados, entretanto, o ministro afirmou que a redução do desmatamento enfraquece as acusações feitas pelos americanos.
“Põe por terra definitivamente a acusação injusta e improcedente dos Estados Unidos”, declarou, ao se referir ao uso da questão ambiental como justificativa para a adoção de tarifas.
Capobianco também rebateu críticas relacionadas à exportação de madeira brasileira. De acordo com o ministro, toda a madeira destinada ao mercado externo passa por sistemas de monitoramento.
“O Brasil não está promovendo desmatamento ilegal; Brasil não está exportando madeira ilegal”, afirmou.

A rastreabilidade da madeira é uma exigência crescente dos mercados internacionais e tem ganhado importância nas exportações brasileiras — Foto: Ibama
Dados devem subsidiar negociações comerciais
As informações divulgadas pelo Ministério do Meio Ambiente poderão servir como base técnica para as negociações conduzidas pelo Ministério das Relações Exteriores (MRE) com autoridades norte-americanas.
Com isso, o governo espera utilizar os resultados ambientais mais recentes como argumento para fortalecer a posição brasileira nas discussões comerciais e reduzir pressões sobre as exportações do país, especialmente de setores ligados ao agronegócio, à bioenergia e às commodities agrícolas.







