Resumo da notícia
- A Cresol estabeleceu meta de R$ 18 bilhões em operações no novo Plano Safra, já liberando mais de R$ 6 bilhões, diante de juros altos, custos elevados e desafios climáticos que pressionam o produtor rural.
- No último ciclo, a cooperativa superou a meta inicial, alcançando R$ 16,8 bilhões em crédito, com crescimento de 40% no volume e 20% no número de contratos, focando principalmente na agricultura familiar.
- O BNDES é parceiro-chave da Cresol, respondendo por mais de R$ 8,7 bilhões em operações, enquanto a cooperativa oferece também assistência técnica para garantir a viabilidade dos projetos agrícolas.
A pressão sobre as margens do produtor rural coloca o crédito no centro das discussões do novo Plano Safra. Além disso, juros elevados, custos de produção, eventos climáticos e preços de venda reduzem a capacidade de investimento no campo. Com isso, aumenta a necessidade de recursos para manter a atividade. Nesse cenário, a Cresol estabeleceu uma meta de R$ 18 bilhões em operações para o atual ciclo. Até agora, a cooperativa já liberou mais de R$ 6 bilhões nos primeiros meses.
Os números foram apresentados durante a 49ª Expointer, em Esteio (RS), pelo presidente do Sistema Cresol, Cledir Magri, e pelo diretor-executivo Jonas Klein. No Plano Safra anterior, a cooperativa realizou R$ 16,8 bilhões em operações, acima da meta inicial de R$ 13 bilhões. Além disso, segundo a instituição, o período registrou crescimento de 40% no volume de recursos movimentados e de 20% no número de contratos.
O resultado ajuda a dimensionar o avanço do crédito em uma carteira marcada pela pulverização das operações. Nesse sentido, o ticket médio ficou em aproximadamente R$ 115 mil. Ao todo, foram cerca de 115 mil operações, com valor médio próximo desse patamar.
- O que pode estar escondido na garrafa de azeite extravirgem
- Mundo vai passar de 1,5°C e agro terá mais secas e perda de safra, alerta ONU
Crédito cresce em meio a cenário mais restritivo
A expansão ocorre em um momento de maior pressão sobre o produtor. Segundo Magri, o setor enfrenta uma combinação de juros mais altos, aumento dos custos de produção, dificuldades provocadas pelo clima e preços que nem sempre acompanham as despesas da atividade.
“Observamos o aumento da restrição de crédito, o aumento das garantias”, afirmou o presidente da Cresol. Ainda assim, ele destacou que a instituição mantém as concessões dentro dos critérios de risco e das práticas de crédito adotadas pelo sistema.
Para o dirigente, o cenário exige atenção porque a necessidade de financiamento não diminui mesmo quando o acesso aos recursos fica mais difícil.
“É um momento em que a pressão sobre o agro aumenta, mas ao mesmo tempo o produtor vai precisar de crédito, para plantar, para fazer sua gestão”, disse.
Ao mesmo tempo, a avaliação considera as diferenças entre os perfis de produtores. A Cresol atende agricultores familiares, médios e grandes produtores, mas mantém a agricultura familiar como principal público. Além disso, o perfil da carteira é marcado por operações de menor valor médio e por produtores que atuam em diferentes atividades agrícolas.
Além do crédito, a cooperativa afirma oferecer assistência técnica para a elaboração dos projetos. Dessa forma, a estratégia busca acompanhar a capacidade produtiva e as condições de cada produtor antes da concessão dos recursos.
BNDES responde por parcela relevante das operações
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aparece como principal parceiro da Cresol na estrutura de crédito. Somente no último ano, foram mais de R$ 8,7 bilhões em operações com recursos do banco, distribuídos em mais de 100 mil contratos.
Em 2025, a Cresol também foi a maior operadora de operações indiretas do BNDES para pessoas físicas, segundo os dados apresentados pela instituição.
Esse volume, portanto, reforça o peso das operações pulverizadas na carteira. Em vez de concentrar os recursos em poucos contratos de grande valor, a estratégia envolve uma quantidade elevada de financiamentos, com ticket médio relativamente baixo.
Esse perfil está relacionado principalmente à presença da cooperativa junto à agricultura familiar. Ao mesmo tempo, a instituição ampliou sua atuação ao longo dos anos e passou a atender também produtores médios e grandes.

De pequenos agricultores a uma rede nacional
A trajetória da Cresol começou há 31 anos, em Dois Vizinhos, no sudoeste do Paraná. Na época, a instituição foi criada por pequenos agricultores que buscavam uma alternativa de acesso a serviços financeiros.
Segundo Magri, o sistema nasceu com 31 pequenos agricultores. Desde então, ampliou sua presença e hoje reúne mais de 1 milhão de cooperados, com mais de mil agências distribuídas por 20 Estados.
No Rio Grande do Sul, são 285 agências e aproximadamente 345 mil associados. Além disso, cerca de 75% das unidades da cooperativa estão instaladas em municípios com até 50 mil habitantes.
Para Jonas Klein, a expansão ocorreu mantendo a relação com as comunidades como parte da estratégia do sistema.
“É um sistema jovem, mas que cresceu muito nos últimos anos, principalmente nos últimos 10. Sempre com o apoio da agricultura, dos nossos associados, e com apoio muito consistente voltado para nossas comunidades”, afirmou.
A relação com o produtor também mudou ao longo desse período. Segundo Magri, a Cresol começou com atuação concentrada na agricultura e, principalmente, na agricultura familiar. Com o crescimento dos associados, a instituição passou a acompanhar produtores que também aumentaram sua capacidade produtiva e avançaram para outras faixas de financiamento.
Assim, a mudança ampliou o público atendido, mas não retirou a agricultura familiar do centro da atuação.
Novo Plano Safra tem meta de R$ 18 bilhões
Para o atual Plano Safra, a Cresol trabalha com a expectativa de movimentar R$ 18 bilhões. Para isso, a estratégia inclui antecipar a liberação dos recursos e acompanhar o calendário do campo.
Em aproximadamente 90 dias, mais de R$ 6 bilhões já haviam sido liberados. Cerca de R$ 3 bilhões chegaram aos produtores antes da virada do Plano Safra, a partir de uma estratégia de planejamento dos recursos. Depois, outros R$ 3 bilhões foram liberados a partir de 1º de julho.
Segundo Magri, o ritmo das liberações está relacionado à necessidade de acompanhar o ciclo agrícola e manter os recursos disponíveis para o produtor.
A discussão sobre crédito também ocorre em meio ao aumento das exigências para concessão de financiamentos. Nesse cenário, a Cresol afirma que o desafio é manter o acesso aos recursos sem abandonar os critérios de avaliação de risco.
Agora, a cooperativa pretende manter o ritmo de operações ao longo do novo Plano Safra, enquanto acompanha a demanda dos produtores e as condições do mercado de crédito.