Resumo da notícia
- Hedgepoint Global Markets reduziu a estimativa de superávit global de café para 8,2 milhões de sacas em 2026/27, devido a ajustes na produção e riscos do El Niño, que pode ser muito forte no período.
- Chuvas irregulares no Vietnã, Indonésia e América Central ameaçam as safras, enquanto o Brasil mantém expectativa de safra recorde, apesar de chuvas que atrasaram a colheita e afetaram a qualidade dos grãos.
- Tensões geopolíticas e elevação das taxas de juros aumentam a volatilidade dos preços do café, levando produtores a reterem estoques; nova revisão do superávit global pode ocorrer conforme efeitos do El Niño se manifestem.
A Hedgepoint Global Markets revisou para baixo a sua estimativa de superávit global de café para a temporada 2026/27. A consultoria agora projeta um excedente de 8,2 milhões de sacas, uma queda em relação aos 9,9 milhões previstos anteriormente. A mudança reflete ajustes na produção de diversos países e os riscos crescentes do fenômeno El Niño.

Especialistas alertam para a intensidade do El Niño, que apresenta mais de 70% de probabilidade de se tornar “muito forte” entre agosto e novembro de 2026. No Vietnã, a precipitação abaixo da média já forçou uma redução marginal na estimativa da safra 2026/27. A Indonésia e nações da América Central também enfrentam padrões irregulares de chuva, o que coloca em risco o desenvolvimento dos cafezais.
- Calor extremo ameaça alimentos na Europa e alerta o Brasil
- Plano de recuperação tira Shell e Cosan do controle majoritário da Raízen
Brasil: safra recorde sob vigilância
No Brasil, as chuvas constantes em junho impediram o trabalho de colheita e prejudicaram a qualidade dos grãos. Mesmo com o ritmo abaixo da média de anos anteriores, a Hedgepoint mantém a expectativa de uma safra recorde para o país em 2026/27. O mercado espera que o avanço da colheita aumente o fluxo de exportações nos próximos meses, o que pode pressionar as cotações internacionais.

Um ponto positivo para o setor brasileiro é a isenção da tarifa de 25% imposta pelos Estados Unidos ao café instantâneo do país, medida que deve favorecer as vendas externas.
Geopolítica e economia global pressionam preços
Além do clima, o cenário macroeconômico injeta volatilidade no mercado. O conflito entre Estados Unidos e Irã voltou a se intensificar em julho, afetando os preços de energia e reforçando a inflação persistente.

Nesse contexto, o Banco Central Europeu elevou as taxas de juros, enquanto o Federal Reserve (Fed) indicou que novos aumentos ainda são possíveis em 2026. Essa incerteza financeira levou fundos de investimento a ajustarem suas posições, desencadeando atividades de cobertura que ampliaram as oscilações nos preços do café arábica.
Embora o excedente de 8,2 milhões de sacas ainda permita uma recuperação dos estoques globais, a estrutura atual do mercado incentiva os países produtores a reterem parte da produção. Como muitas origens só iniciam a colheita entre outubro e novembro, a Hedgepoint não descarta novas revisões no superávit conforme os efeitos reais do El Niño se consolidem.









