Raiva dos herbívoros pode se expandir para outras seis cidades vizinhas; produtores devem vacinar rebanhos e avisar autoridades ao encontrar refúgios de morcegos
Foto: Joca Moreira/Flickr

A Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação do Rio Grande do Sul (Seapi) emitiu na última semana um alerta sanitário para a raiva dos herbívoros nos municípios de Tiradentes do Sul e São Nicolau, no Noroeste Gaúcho. O motivo é o registro de focos da doença nas duas cidades, agravado pelo alto número de agressões a animais na região e pela ausência de localização dos refúgios dos morcegos hematófagos, os chamados morcegos-vampiros, principais transmissores da raiva em herbívoros.

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O alerta indica risco de expansão da doença para municípios vizinhos. Na área de Tiradentes do Sul, a preocupação se estende a Esperança do Sul, Crissiumal e Derrubadas. Já em torno de São Nicolau, as cidades em alerta são Pirapó, Garruchos e Dezesseis de Novembro. Ao todo, seis municípios entram na zona de atenção.

Equipes em campo

Equipes da Seapi já atuam na região para localizar os esconderijos dos morcegos e adotar medidas preventivas. A estratégia combina o controle dos animais transmissores com a conscientização dos produtores rurais sobre a importância da vacinação dos rebanhos.

O coordenador do Programa de Controle da Raiva Herbívora da Seapi, Wilson Hoffmeister, explica que a resposta ao surto depende tanto da agilidade do Estado quanto da cooperação dos produtores.

“Nossas equipes trabalham no monitoramento de focos, no atendimento às suspeitas e na adoção de medidas sanitárias rápidas para evitar a disseminação da doença. Essa é uma ação contínua, que depende da parceria com os produtores e da comunicação ágil de qualquer ocorrência, garantindo a proteção da pecuária e a segurança sanitária no Estado.”

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O que fazer ao encontrar um refúgio de morcegos

A orientação da Seapi é clara: produtores rurais que localizarem refúgios de morcegos-vampiros não devem tentar capturá-los por conta própria. O procedimento correto é comunicar imediatamente a Inspetoria ou ao Escritório de Defesa Agropecuária do município.

A espécie transmissora da raiva herbívora é o Desmodus rotundus, que costuma se abrigar em troncos ocos de árvores, cavernas, fendas de rochas, furnas, túneis e casas abandonadas. A captura desses animais é feita exclusivamente pelos Núcleos de Controle da Raiva do Estado, cujas equipes recebem treinamento específico e vacinação contra a doença.

Quando o Estado aciona as equipes

Os Núcleos de Controle entram em ação sempre que uma região registra laudo positivo para raiva em herbívoro. Ou apresenta índices elevados de mordeduras em animais de produção, ou seja,  bovinos, equinos, ovinos e suínos. O acionamento parte das regionais da Seapi após a confirmação dos casos.

A raiva herbívora não tem cura após o aparecimento dos sintomas nos animais, o que torna a vacinação preventiva do rebanho a principal arma dos produtores contra a doença. Surtos não controlados podem causar perdas significativas na pecuária regional e comprometer a segurança sanitária de todo o Estado.