Alta dos alimentos mantém pressão sobre o custo de vida, enquanto etanol e diesel ajudam a conter a inflação
Foto: divulgação - Embrapa/Paulo Lanzetta

Os alimentos voltaram a liderar a inflação brasileira em maio. O grupo Alimentação e Bebidas registrou alta de 1,33%, segundo o IPCA divulgado pelo IBGE nesta sexta-feira (12). O resultado ficou praticamente estável em relação a abril. O índice recuou apenas 0,01 ponto percentual no período.

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A alimentação no domicílio avançou 1,65%. Os maiores aumentos ocorreram na batata-inglesa, que subiu 44,69%, no tomate, com alta de 20,62%, e na cebola, que avançou 16,80%. As carnes também ficaram mais caras e registraram elevação de 1,39%. Esses produtos repetiram o movimento observado em abril e acumulam altas desde janeiro.

Por outro lado, alguns itens apresentaram queda de preços. O café moído recuou 2,38%, enquanto as frutas registraram baixa de 0,70%.

A alimentação fora do domicílio também ficou mais cara. O segmento avançou 0,49% em maio. Os preços dos lanches subiram 0,49%, após alta de 0,71% em abril. Já as refeições passaram de 0,54% para 0,51% no mesmo período.

No acumulado do mês, a inflação oficial do país ficou em 0,58%. O resultado desacelerou frente aos 0,67% registrados em abril. Apesar do alívio no índice geral, os alimentos continuaram como principal fator de pressão sobre o orçamento das famílias. O grupo Alimentação e Bebidas respondeu pela maior contribuição ao resultado do IPCA.

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Itens básicos e produtos in natura exerceram forte influência sobre a inflação. Fatores climáticos, custos de produção e oscilações na oferta explicam parte desse movimento.

Para o agronegócio, os números reforçam a influência das safras e do abastecimento sobre o custo de vida dos brasileiros.

Safra de cana reduz preços do etanol

O avanço da safra de cana-de-açúcar no Centro-Sul do Brasil favoreceu a queda do etanol em maio. O biocombustível registrou recuo de 6,20%. Em abril, o produto havia apresentado alta de 0,62%.

Mesmo com a demanda aquecida, a maior oferta ajudou a reduzir os preços. O etanol também contribuiu para aliviar a inflação do grupo Transportes. Com o aumento da moagem, as usinas ampliaram a disponibilidade de matéria-prima. Como resultado, a oferta de etanol cresceu no mercado.

O cenário reforça a importância do agronegócio para o comportamento da inflação. Afinal, a produção agrícola influencia diretamente os preços dos combustíveis renováveis.

Além do etanol, o óleo diesel caiu 2,34% em maio. O combustível tem papel estratégico no campo por abastecer máquinas agrícolas e transportar a produção. A redução dos combustíveis pode diminuir custos logísticos em toda a cadeia agropecuária. Dessa forma, o movimento pode ajudar a reduzir pressões sobre os preços dos alimentos nos próximos meses.