Setor aposta em flexibilização da Europa enquanto busca diversificar mercados para o produto orgânico

O setor de mel brasileiro acompanha, com otimismo cauteloso, os desdobramentos do embargo da União Europeia (UE) a produtos de origem animal do Brasil, que entrou em vigor em 3 de setembro de 2026.

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A UE impôs a medida por exigir comprovação sobre o controle do uso de antimicrobianos na produção. Além do mel, o bloqueio atinge carnes, ovos e pescados e pode afetar até US$ 2 bilhões em exportações por ano.

Exportações de mel para a UE dobram em 2026

Embora a UE não seja o principal destino do mel orgânico brasileiro, os embarques para o bloco, no entanto, vêm em ritmo de crescimento. De acordo com a Associação Brasileira dos Exportadores de Mel (Abemel), as vendas para os 27 países europeus dobraram no primeiro semestre de 2026 e alcançaram US$ 6,3 milhões.

Além disso, a participação do bloco nas exportações brasileiras de mel subiu de cerca de 5% no primeiro semestre de 2025 para 10% no mesmo período de 2026.

Setor vê flexibilidade e aposta em novos mercados

Renato Azevedo, presidente da Abemel, disse que a possibilidade de manter embarques para a União Europeia ainda é relevante, mesmo que o bloco não seja o maior comprador do produto. “Estamos fazendo um esforço para ampliar destinos, então caso a interrupção de embarques seja efetivada não será algo positivo. No entanto, percebemos que a União Europeia está mostrando flexibilidade e isso nos dá uma perspectiva positiva”, afirmou.

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Para o dirigente, o crescimento recente das vendas ao bloco, inclusive, reforça o interesse do setor em consolidar novos mercados. “Se compararmos o primeiro semestre de 2025 e 2026, dobramos as exportações para a União Europeia. Cerca de 5% dos embarques brasileiros de mel tinham o bloco como destino no primeiro semestre do ano passado, neste ano a proporção subiu para 10% no mesmo período”, destacou.

Azevedo ressaltou ainda a qualidade reconhecida do mel orgânico brasileiro. “A fiscalização é positiva e pode reconhecer a qualidade do mel brasileiro pelo bloco europeu. A partir do reconhecimento dos protocolos da indústria, o caminho para o reconhecimento dos argumentos do Ministério da Agricultura é viabilizado”, concluiu.

Embargo é regulatório, não sanitário

A UE decidiu barrar as importações depois de considerar que o Brasil não comprovou o controle adequado sobre o uso de determinadas substâncias no processo produtivo. Assim, a restrição é regulatória: Bruxelas avalia que ainda faltam garantias suficientes de que as regras europeias sobre antimicrobianos são respeitadas ao longo da cadeia. Por outro lado, não houve identificação de irregularidades sanitárias em lotes brasileiros.

Além disso, a situação se soma a outro episódio recente de pressão comercial sobre o setor. Em março, a apicultura brasileira já havia enfrentado a ameaça de imposição de tarifas pelo USTR (Representante Comercial dos Estados Unidos). Por isso, o setor reforça a necessidade de diversificação de destinos e de fortalecimento de protocolos de controle.