Taxação de café brasileiro nos EUA pode elevar inflação e prejudicar indústria americana
Foto: ABICS

Representantes do setor cafeeiro brasileiro e norte-americano uniram forças em Washington, nos dias 6 e 7 de julho, para contestar a proposta de sobretaxar o café solúvel brasileiro em 25%.

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Durante audiências públicas do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), a Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics), o Cecafé e a National Coffee Association (NCA) defenderam a importância estratégica do produto para a economia dos EUA.

Risco de inflação e impacto no consumo

A Abics alertou que a aplicação da tarifa elevaria os preços e sobrecarregaria as famílias americanas, especialmente as que buscam opções acessíveis. Atualmente, 11% da população dos EUA consome café solúvel diariamente. Fábio Sato, diretor de Relações Institucionais da Abics, explicou que o produto brasileiro não possui substitutos fáceis, uma vez que o Brasil e o México suprem quase 60% do mercado americano, mas o café mexicano custa cerca de 1,5 vez mais.

Representantes de Cecafé (Marcos Matos), Abics, NCA (Bill Murray) e BMJ defenderam o setor na audiência. Foto: P1 Comunicação

Além disso, a entidade reforçou que a maior parte do valor econômico desse comércio permanece nos Estados Unidos. Como o café brasileiro entra no país majoritariamente a granel, processos como mistura, empacotamento, marketing e distribuição ocorrem em solo americano, gerando empregos locais.

Dependência da indústria e logística

O Brasil responde hoje por 22% das importações norte-americanas de café solúvel. O insumo é essencial para setores de panificação, confeitaria, laticínios e o mercado de bebidas prontas para consumo (ready to drink), que prevê um crescimento anual de 5,6% até 2030.

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Infografico sobre exportação de café soluvel

A logística também sofreria impactos severos com a taxação. Mais de 81% das importações de café solúvel dos EUA entram por estados como Texas, Nova York e Louisiana. Uma queda na oferta brasileira desregularia centros logísticos importantes na Costa do Golfo e no Nordeste, colocando operações industriais em risco.

Expectativas positivas para o setor

A defesa conjunta do setor durou 15 minutos e não enfrentou questionamentos ou contestações por parte dos investigadores americanos. Para José Pimenta, diretor do BMJ Consultores Associados, a ausência de oposição gera otimismo.

“Pudemos reforçar todo o impacto econômico e social que a tarifa gerará na economia americana e nos bolsos de seus consumidores”, concluiu Pimenta. O setor agora aguarda que o café solúvel brasileiro entre na lista de isenção, seguindo o modelo de outros tipos de café exportados para os EUA.