Pesquisa de seis anos resultou na carpa "Zhongke Nº 6", que cresce mais rápido e elimina o risco de engasgos
Foto: Ana Cuesta/Flickr

Uma equipe de pesquisadores chineses alcançou um marco na aquicultura. Eles desenvolveram a primeira variedade de carpa Gibel totalmente sem as espinhas intermusculares, os pequenos ossos que representam risco de engasgo. O avanço emprega a revolucionária tecnologia de edição genética CRISPR/Cas9 e pode transformar o consumo desse peixe popular em toda a Ásia.

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A carpa Gibel (Carassius gibelio) é um dos peixes de água doce mais populares no continente asiático. Consumidores apreciam sua carne macia e saborosa, mas precisam lidar com um inconveniente perigoso: mais de 80 espinhas minúsculas embutidas na musculatura do animal. Esses pequenos ossos são difíceis de remover durante o preparo e frequentemente causam engasgos, levando muitos a evitar o peixe, apesar de seu valor nutricional.

Como a “tesoura molecular” CRISPR eliminou o problema

Para solucionar a questão, pesquisadores da Academia Chinesa de Ciências, liderados pelo professor Gui Jianfang, mapearam o genoma da carpa. Eles identificaram dois genes-chave, *Cgrunx2b-A* e *Cgrunx2b-B*, responsáveis pelo desenvolvimento das espinhas. Utilizando a tecnologia CRISPR/Cas9 – que age como uma ferramenta de precisão para cortar e editar sequências específicas de DNA –, a equipe desativou esses genes em embriões do peixe.

O procedimento impediu a formação das espinhas intermusculares, enquanto o esqueleto principal do animal se desenvolveu normalmente. A nova linhagem recebeu o nome “Zhongke Nº 6”.

Mais que sem espinhas: os benefícios da nova carpa

O projeto, parte de um programa estratégico de seis anos, visou mais que apenas a remoção dos ossos. Os cientistas desenvolveram um peixe otimizado para a aquicultura sustentável. A variedade “Zhongke Nº 6” apresenta três vantagens principais:

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  • Crescimento acelerado: atinge o tamanho comercial mais rápido que as carpas comuns.
  • Maior resistência: demonstra elevada tolerância a doenças, mesmo em cultivos de alta densidade.
  • Alta eficiência alimentar: converte ração em massa corporal de forma mais eficiente, reduzindo custos e impactos ambientais.

A conquista, detalhada na revista científica Aquaculture, vai além da conveniência culinária. Ela valida o uso seguro e eficaz da edição genética para “redesenhar” espécies aquícolas, tornando-as mais produtivas, seguras e sustentáveis.

A comercialização da carpa sem espinhas pode ampliar significativamente seu mercado, atraindo consumidores que antes a evitavam por medo de engasgos, como crianças e idosos. A técnica ainda abre caminho para aplicações em outras espécies, potencialmente revolucionando a produção de proteína animal para alimentar uma população global em crescimento.