Resumo da notícia
- A colheita do café arábica chegou a 51% da área prevista na safra 2026/27, abaixo dos 58% do ano anterior, com chuvas isoladas atrasando a secagem e a colheita mecanizada.
- O atraso na colheita pode comprometer a próxima safra, pois o estresse das plantas reduz a recuperação nutricional e afeta a florada e a produtividade futura.
- Previsão de tempo seco até 22 de julho deve acelerar a colheita e melhorar a secagem dos grãos, favorecendo operações mecanizadas e preservando a qualidade do café.
A colheita de café arábica alcançou 51% da área prevista pela Expocacer na safra 2026/27. O levantamento considera os trabalhos até sexta-feira (17). Apesar do avanço, o ritmo segue abaixo do registrado no mesmo período do ano passado. Na safra anterior, os produtores já haviam colhido 58% da produção.
Segundo a Cooperativa dos Cafeicultores do Cerrado (Expocacer), chuvas isoladas prejudicaram temporariamente a secagem dos grãos nos terreiros. Além disso, a umidade dificultou as operações mecanizadas para recolher o café de chão.
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Por outro lado, o clima favoreceu a colheita dos frutos ainda nas plantas. Com isso, os cooperados conseguiram manter o avanço das atividades no Cerrado Mineiro. Até agora, cerca de 31% do café já passou pelo beneficiamento. O rendimento médio ficou em aproximadamente 520 litros por saca beneficiada. Na última semana, os técnicos observaram aumento da catação, que atingiu 19,7%.
Ao mesmo tempo, o percentual de grãos com peneira 17 acima caiu para 27,65%. A cooperativa também registrou baixa incidência de broca nos cafés recebidos.
Atraso pode comprometer a próxima safra
A Expocacer alerta que os produtores precisam acelerar a colheita para reduzir o atraso em relação à média histórica. Segundo os técnicos, manter a carga por mais tempo nas plantas aumenta o estresse fisiológico das lavouras. Além disso, essa situação reduz o intervalo entre o fim da colheita e o início da florada.
Como consequência, as plantas têm menos tempo para recuperar reservas nutricionais e energéticas. Esse cenário pode prejudicar o desenvolvimento vegetativo, reduzir a uniformidade da florada e limitar o potencial produtivo da próxima safra.
Tempo seco deve favorecer operações
A previsão indica tempo seco até 22 de julho, sem chuvas significativas na região. De acordo com a Expocacer, esse cenário deve acelerar a colheita nas propriedades. Além disso, o aumento gradual das temperaturas favorece as operações mecanizadas.
O clima também melhora a secagem dos cafés nos terreiros, aumentando a eficiência operacional e preservando a qualidade dos grãos. Mesmo assim, os técnicos recomendam que os produtores acompanhem as condições específicas de cada município. Segundo eles, a distribuição das chuvas pode variar e influenciar o ritmo da colheita e da pós-colheita.
Expocacer projeta produção de 2,8 milhões de sacas
A Expocacer reúne mais de 800 produtores associados e faturou cerca de R$ 3 bilhões em 2025. Para 2026, a cooperativa estima produzir 2,8 milhões de sacas de café arábica em sua área de atuação.
Atualmente, a entidade possui 19,4 mil hectares certificados em cafeicultura regenerativa. Além disso, outros 29 mil hectares adotam manejo regenerativo. A cooperativa também se tornou a primeira do mundo a conquistar a certificação Regenagri® em Agricultura Regenerativa. Recentemente, a Expocacer ainda validou seus processos junto à Rainforest Alliance.
A cooperativa integra a governança da Região do Cerrado Mineiro, primeira Denominação de Origem para café do Brasil. A região reúne 55 municípios, mais de 4.500 produtores e cerca de 250 mil hectares destinados à produção de cafés com Indicação Geográfica.








