Com mais de 90% de chance de ocorrência, fenômeno climático pode elevar temperaturas, reduzir produtividade e exigir mudanças no manejo agrícola

A possível chegada de um El Niño intenso em 2026 acende um alerta no agronegócio brasileiro, especialmente para culturas sensíveis ao clima, como morango, tomate e grãos. De acordo com a Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), a probabilidade de formação do fenômeno já supera 90%, com cerca de 50% de chance de atingir intensidade forte ou muito forte, cenário conhecido como “Super El Niño”.

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A previsão indica um aumento significativo nas temperaturas globais, com elevação que pode chegar a 3°C. Esse cenário tende a provocar irregularidades climáticas, afetando diretamente a produtividade agrícola. Culturas de clima frio e temperado estão entre as mais vulneráveis, já que dependem de faixas térmicas mais estáveis para se desenvolver.

Estudos da Embrapa apontam que, considerando um aumento gradual de temperatura até 2050, o Brasil pode enfrentar uma redução de até 50% na produção agrícola. Embora o impacto do El Niño seja mais imediato, os dados reforçam a preocupação com a resiliência do setor diante das mudanças climáticas.

Adaptação

No campo, especialistas destacam que a adaptação passa, principalmente, pelo manejo eficiente do solo e pela nutrição adequada das plantas. Segundo Douglas Vaz-Tostes, especialista em nutrição de lavouras do Grupo GIROAgro, não é mais possível dissociar o manejo climático do nutricional.

“A escolha correta dos fertilizantes impacta diretamente a eficiência do sistema produtivo. Quando o produtor aplica o nutriente certo, na dose e no momento adequados, reduz perdas e preserva o potencial produtivo, mesmo em cenários adversos”, afirma.

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No caso do morango, por exemplo, o impacto do calor é ainda mais sensível. A cultura se desenvolve melhor em temperaturas entre 13°C e 26°C. Quando os termômetros ultrapassam os 30°C, há prejuízos na floração, o que compromete a produção e pode gerar atrasos na colheita.

Irregularidade climática

Além das temperaturas elevadas, a irregularidade climática também favorece o aumento da incidência de pragas e doenças, exigindo maior esforço fisiológico das plantas. Nesse contexto, o especialista ressalta que o desafio atual vai além da simples adubação.

“Hoje, não basta apenas fornecer nutrientes. É essencial garantir que a planta consiga absorver e transformar esses insumos em produtividade, mesmo sob estresse climático”, explica.

Com a intensificação dos eventos climáticos extremos, a preparação antecipada deixa de ser um diferencial competitivo e passa a ser uma condição essencial para a sustentabilidade do agronegócio. Estratégias como o uso eficiente de fertilizantes, o planejamento do plantio e a adoção de tecnologias agrícolas devem ganhar ainda mais relevância nos próximos ciclos produtivos.