Enquanto feijão e legumes sobem, café, açúcar e ovos trazem alívio ao bolso do consumidor
Terceira safra derruba preço do feijão carioca no campo. Oferta avança, pressiona cotações do feijão carioca.
Foto: divulgação - Embrapa / Sebastião Araújo

O varejo alimentar brasileiro fechou junho com a inflação concentrada nos itens básicos da cesta de consumo. Questões de oferta regional e sazonalidade impulsionaram o feijão, que liderou as altas do período com avanço de 8% na média nacional. Os legumes vieram na sequência, com incremento de 4,2%. Os dados constam do estudo “Variações de Preços: Brasil & Regiões”, elaborado pela Neogrid, ecossistema de tecnologia e inteligência de dados voltado à gestão da cadeia de suprimentos.

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O preço médio do feijão saltou de R$ 8,05 para R$ 8,70 entre maio e junho, com o Centro-Oeste e o Sul puxando o movimento de forma mais expressiva. Os legumes, por sua vez, subiram de R$ 7,93 para R$ 8,26, com destaque para a região Norte, onde o avanço chegou a 11,3%.

Para Marcelo Alves, gerente executivo de Dados da Neogrid, o encarecimento reflete a sensibilidade dessas categorias ao clima. “O cenário atual reforça a importância de um abastecimento inteligente no varejo. Com oscilações regionais tão distintas, a capacidade de adequar a reposição e a precificação com precisão para cada praça torna-se um diferencial competitivo”, afirma o executivo.

Higiene e limpeza também registram altas

Além dos itens de hortifrúti, o papel higiênico contabilizou alta de 1,8% no país, passando de R$ 1,50 para R$ 1,53. O detergente líquido acompanhou o movimento com alta de 1,7%, enquanto a água sanitária avançou 1,4%.

Em direção oposta, alguns itens aliviaram o orçamento das famílias em junho. O café em pó e em grãos recuou 3,2%, com o preço médio caindo de R$ 65,20 para R$ 63,09. O açúcar registrou queda de 2,8%, saindo de R$ 3,59 para R$ 3,49. Ovos (-1,8%), óleo (-1,7%) e xampu (-1,5%) completam a lista das principais quedas nacionais.

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Pressão acumulada no ano preocupa

O balanço entre dezembro de 2025 e junho de 2026 confirma os legumes como o item de maior valorização, com alta acumulada de 50,2% — de R$ 5,50 para R$ 8,26. O feijão vem logo atrás, com elevação de 36,7% no período. Leite UHT (23,1%), carne bovina (6,5%) e farinha de mandioca (5%) fecham a lista das maiores altas do ano.

“Para os próximos meses, a tendência é de que a pressão sobre hortifrútis e feijão continue. O equilíbrio entre o encarecimento dos itens essenciais e a estabilidade nas demais categorias será determinante para a percepção de inflação e o ritmo de consumo das famílias no segundo semestre, exigindo acompanhamento em tempo real dos estoques para evitar rupturas e perdas financeiras”, analisa Alves.

Na região Sudeste, o feijão liderou as altas com avanço de 8,4%, seguido pelos legumes (3%), papel higiênico (2,8%), cerveja (2,3%) e detergente líquido (1,6%). Em contrapartida, os ovos puxaram os recuos com queda de 5,5%, seguidos pela carne suína (-3,5%), açúcar e farinha de mandioca (-3,3% cada) e café em pó e em grãos (-2,9%).