Pesquisa apresentada pela emissora na Rio2C mostra sertanejo como gênero musical favorito dos brasileiros e ajuda a explicar avanço das novelas rurais e do universo agro na programação
Sucesso de audiência, 'Pantanal' ajudou a consolidar a nova fase rural — Foto: Globo

A TV Globo apresentou nesta terça-feira (25), durante a Rio2C, na Cidade das Artes, no Rio de Janeiro, os resultados da pesquisa “Cultura no Espelho: um retrato da relação do país com sua própria cultura”, realizada em parceria com a Quaest. O levantamento trouxe dados sobre os hábitos culturais dos brasileiros e reforçou o crescimento da influência da música sertaneja no país.

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Um dos pontos que mais chamou atenção foi justamente a preferência musical do público. Ao serem questionados sobre o gênero favorito, 26% dos entrevistados escolheram o sertanejo, colocando o estilo na liderança isolada.

Na sequência aparecem a música gospel/religiosa cristã, com 16%, e os ritmos forró e piseiro, que somaram 10%. Já o tradicional samba/pagode ficou na quarta colocação, com 9%, seguido pela MPB, que registrou 8%.

Os números mostram uma mudança importante no comportamento cultural do país. Durante décadas, o samba ocupou o posto de principal símbolo musical brasileiro. Agora, o avanço do sertanejo ajuda a explicar a crescente presença do universo agro e interiorano na programação da Globo.

Novelas rurais e universo sertanejo

Nos últimos anos, a emissora intensificou a produção de novelas ambientadas no interior do país e passou a investir novamente em histórias ligadas ao sertão, ao agronegócio e à cultura sertaneja.

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Um dos maiores exemplos dessa retomada foi Pantanal, considerada um marco dessa nova fase. A novela apostou em paisagens rurais, conflitos familiares envolvendo terras e personagens ligados à vida no campo, além de trazer forte discurso ambiental e estética cinematográfica.

Alanis Guillen como Juma Marruá em ‘Pantanal’ — Foto: Globo

Depois disso, a Globo lançou Mar do Sertão, que apresentou um sertão mais leve e fantasioso, misturando romance popular, humor e referências à literatura de cordel.

Na sequência veio Terra e Paixão, trama que mergulhou em disputas de terra e poder ligadas ao agronegócio no interior do Mato Grosso do Sul. A novela reforçou o chamado “agrodrama”, gênero que vem ganhando espaço na televisão brasileira.

Tony Ramos como Antônio La Selva em ‘Terra e Paixão’ — Foto: Globo

Outra produção que chamou atenção foi Guerreiros do Sol, originalmente lançada no Globoplay e depois exibida na TV aberta. Inspirada no cangaço e em figuras históricas como Lampião e Maria Bonita, a obra mistura romance, violência e política no sertão nordestino.

Programas reforçam conexão com o agro

Além das novelas, programas da emissora passaram a explorar com mais frequência elementos ligados ao universo sertanejo e rural.

O É de Casa, por exemplo, tem investido em especiais realizados em fazendas, festas de peão e eventos culturais do interior. Já o programa Viver Sertanejo, apresentado pelo cantor Daniel, é gravado na fazenda do artista e promove encontros entre gerações da música ao som de muita moda de viola.

Daniel afirma que programa não é só sobre música, mas celebra toda cultura do campo — Foto: Globo

Cantores sertanejos brilharam na TV

A aproximação entre a emissora carioca e o universo sertanejo também ficou evidente na novela das sete Coração Acelerado, que reuniu diversos artistas do gênero em participações especiais;

Entre os destaques estiveram Paula Fernandes, que interpretou Cecília na primeira fase da novela, além de Ana Castela, que fez uma participação especial.

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Ana Castela se apresenta no bar na trama — Foto: Globo

A dupla Maiara & Maraisa também integrou a produção com músicas inéditas na trilha sonora e aparições em cenas de shows.

Já o cantor Daniel apareceu interpretando a si mesmo no programa fictício Viver Sertanejo, enquanto Chitãozinho & Xororó marcaram presença nos capítulos finais da história.

Chitãozinho e Xororó são recebidos pela família Amaral em ‘Coração Acelerado’ — Foto: Globo