Resumo da notícia
- Cientistas registraram pela primeira vez o lagostim-vermelho (Procambarus clarkii) na Amazônia, após encontrar duas fêmeas em 2018 na praia do Cruzeiro, em Belém (PA), indicando bioinvasão.
- A espécie invasora ameaça a biodiversidade local ao competir por recursos, não ter predadores naturais na região e potencialmente disseminar patógenos aquáticos como o Aphanomyces astaci.
- O estudo reforça a urgência de monitoramento na Amazônia, destacando que ainda não se sabe a extensão da população do lagostim-vermelho ou seu impacto real no ecossistema regional.
Cientistas confirmaram o primeiro registro do lagostim-vermelho (Procambarus clarkii) no bioma Amazônia. O estudo documenta duas fêmeas encontradas em 2018 na praia do Cruzeiro, em Icoaraci, distrito de Belém (PA). O artigo foi publicado em 2026 na revista Nauplius, disponível pela SciELO.
Os pesquisadores mediram os animais, com 12,6 e 13,4 centímetros de comprimento. Em seguida, identificaram a espécie como lagostim-vermelho-da-Luisiana, muito comum no sul dos Estados Unidos e no nordeste do México. Para os cientistas, a aparição do lagostim-vermelho além de suas fronteiras biogeográficas originais configura bioinvasão e representa ameaças à biodiversidade nativa.
Riscos para a biodiversidade da Amazônia
De acordo com os pesquisadores, esses impactos acontecem porque esses animais competem por recursos naturais e habitat com outras espécies da região. Além disso, eles podem introduzir organismos patogênicos aos animais do local.
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Os cientistas apontam que não há predadores naturais dessa espécie de lagostim na Amazônia. Por isso, o animal pode causar desequilíbrio natural na região. Outro ponto de atenção é que o lagostim pode disseminar o Aphanomyces astaci, um oomiceto patogênico aquático do qual o Procambarus clarkii atua como hospedeiro.
O estudo afirma que o episódio representa a primeira documentação de P. clarkii no bioma Amazônia. Dessa forma, a região entra no mapa de distribuição dessa espécie invasora. No entanto, os autores destacam que não há evidência suficiente para determinar a abundância da espécie na região, sua área de distribuição ou se houve reprodução e estabelecimento de uma população.
Espécies invasoras no Brasil
O caso se soma a um quadro mais amplo no país. O Brasil convive com 272 animais exóticos invasores em seus diversos ecossistemas, segundo base de dados do Instituto Hórus. Em ambientes aquáticos, espécies não nativas já aparecem associadas a mudanças na qualidade da água, competição com peixes nativos, predação de ovos e interferência nas cadeias alimentares.
O artigo que detalha o achado conta com pesquisadores ligados à Universidade Federal do Pará (UFPA) e à Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA). Assim, o estudo alerta para a necessidade de novas pesquisas e monitoramento na região, especialmente em áreas com vegetação às margens de rios e igarapés, como a do rio Maguari, onde os animais foram coletados.