Parceria com a Embrapa ajuda produtores a aumentar a criação do peixe em cativeiro
Manejo do matrinxã realizado no campo experimental da Embrapa Amazônia Ocidental, em Manaus (AM).
Foto: ROSA, Felipe Santos da/Embrapa.

Dentro de um ramal no quilômetro 65 da AM-010, a despesca de matrinxã começa antes do amanhecer. “Agora vamos sair na canoa, vamos dar o lance para encostar aqui na beira de novo e colocar os peixes na carroça. Essa rede vem de lá da ponta, para dar um lance grande no viveiro todo não tem como. Temos que fazer ele dentro dessa área”, disse Nazir dos Santos, trabalhador que virou piscicultor depois de anos pescando na natureza.

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Ao todo, os trabalhadores enchem cinco carrocerias com cerca de 15 mil matrinxãs, que seguem no gelo até chegar à mesa de consumidores de Manaus. “Essa é a melhor parte nossa, a despesca é o nosso Natal”, disse Luiz Bonfá, produtor no setor há mais de duas décadas no Amazonas.

Sazonalidade define o mercado

A matrinxã (Brycon amazonicus) é uma das principais espécies da piscicultura amazonense. No ambiente natural, o peixe fica pronto para pesca entre março e abril, depois desse período, porém, todo o consumo passa a vir de cativeiro. Rio Preto da Eva, Manacapuru, Manaus, Presidente Figueiredo e Iranduba lideram a produção no estado.

Por isso, o trabalho nos viveiros de Rio Preto da Eva mantém ativa a cadeia de consumo e sustenta o mercado da espécie no segundo semestre do ano, quando a pesca extrativa não oferece o peixe.

Beneficiamento amplia alcance

Parte da produção de Bonfá abastece supermercados e restaurantes. Além disso, um novo parceiro tem ajudado a agregar valor: o frigorífico. Thiago Bentes decidiu investir no beneficiamento da matrinxã para expandir o mercado.

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“Agora a gente está em uma nova etapa, o beneficiamento desse peixe. Trabalhamos com o serviço de inspeção federal, estamos aptos para fornecer para todos os estados do Brasil e alguns países”, disse Bentes.

Pesquisa orienta ganho de eficiência

A parceria entre piscicultores e a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) também impulsiona o setor. De um lado, os produtores demandam tecnologias para melhorar a produção; do outro, a rede de pesquisa oferece soluções.

A Embrapa orienta, por exemplo, a quantidade ideal de peixes por tanque ou viveiro, recomenda o tamanho adequado dos animais e ajusta o manejo alimentar. Além disso, os pesquisadores testam produtos como probióticos e estudam a melhor relação entre espécie e técnica de criação, sempre buscando mais lucro e qualidade.

“A gente tem sempre que fazer tudo para produzir mais em menor tempo ou de forma mais barata, sem perder a qualidade. A pesquisa da Embrapa começa no laboratório ou no campo, mas, para ser considerada uma tecnologia, precisa chegar ao produtor, ser usada”, disse Roger Crescêncio, pesquisador da Embrapa.