Resumo da notícia
- Um filhote de onça-parda ferido foi resgatado em chácara de Campo Novo do Parecis (MT) após moradores seguirem orientação dos bombeiros para manter distância e recolher os cães.
- A onça-parda, segunda maior felina do Brasil, é ágil e adaptável, vivendo em todos os biomas e ambientes, incluindo áreas rurais e modificadas pelo homem.
- A presença da onça-parda em propriedades rurais está ligada à fragmentação do habitat e à busca por presas, reforçando a necessidade de coexistência e cuidado em áreas agrícolas.
Um filhote de onça-parda apareceu ferido no quintal de uma chácara em Campo Novo do Parecis (MT) e fez os moradores mudarem a rotina até a chegada do resgate. A orientação dos bombeiros foi direta: recolher os cães, permanecer dentro da casa e não se aproximar do animal.
Mesmo machucada, uma onça pode representar risco caso se sinta ameaçada. Por isso, os moradores permaneceram afastados enquanto aguardavam a equipe.
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Quando chegaram à chácara, os bombeiros encontraram o filhote machucado e receberam apoio da Secretaria de Estado de Meio Ambiente de Mato Grosso (Sema-MT). Para retirar o animal, utilizaram um cambão com laço ajustável e uma rede adaptada para captura terrestre. Ninguém ficou ferido.
Depois do resgate, a onça seguiu para uma clínica especializada em animais silvestres.
Onça-parda vive em todos os biomas brasileiros
Também conhecida como suçuarana, puma e leão-baio, a onça-parda (Puma concolor) é o segundo maior felino do Brasil.
Segundo informações técnicas do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), um adulto pode chegar a 1,96 metro de comprimento, enquanto o peso geralmente varia entre 38 e 72 quilos. Os machos costumam ser maiores que as fêmeas.
Apesar do tamanho, é um animal bastante ágil. Além disso, consegue viver em ambientes muito diferentes e ocorre em todos os biomas brasileiros.
A alimentação também ajuda a explicar essa capacidade de adaptação. A dieta inclui animais como pacas, tatus, quatis, roedores, aves, répteis, veados, porcos-do-mato e capivaras. Em geral, a espécie apresenta maior atividade durante a noite.
Os filhotes ainda guardam uma diferença curiosa em relação aos adultos. Eles nascem com pintas marrons, que desaparecem conforme crescem, normalmente por volta dos seis meses.
Presença em propriedades rurais tem explicação
Encontrar uma onça-parda em uma fazenda ou chácara não significa necessariamente que o animal esteja fora de seu ambiente.
De acordo com o ICMBio, a espécie consegue ocupar desde florestas até savanas e também pode circular por ambientes alterados, como plantações e pastagens. Essa flexibilidade ajuda a explicar por que a onça-parda aparece em diferentes paisagens rurais do país.
Ao mesmo tempo, a transformação da paisagem aumenta as possibilidades de encontro com pessoas. A fragmentação do habitat, provocada pela perda e divisão das áreas naturais, está entre as ameaças enfrentadas pela espécie.
Assim, uma propriedade rural pode fazer parte da rota utilizada pelo animal entre fragmentos de vegetação. Além disso, a presença de presas silvestres pode favorecer sua circulação por áreas agrícolas.
Pesquisas realizadas em agroecossistemas brasileiros reforçam esse comportamento. Estudos com monitoramento por GPS mostram onças-pardas utilizando paisagens modificadas pelo homem, embora áreas de vegetação natural continuem importantes para abrigo, deslocamento e alimentação.
A aproximação de criações domésticas, por outro lado, pode gerar conflitos. Por isso, órgãos ambientais recomendam evitar qualquer tentativa de aproximação ou captura quando um grande felino aparece em uma propriedade.