Resumo da notícia
- Um vídeo em Buriti Alegre (GO) registrou uma onça-pintada arrastando uma bezerra de 150 kg para a mata, evidenciando o conflito entre pecuária e fauna no Cerrado.
- A onça-pintada, maior felino das Américas, usa força muscular para capturar presas grandes, e ataques a bovinos são comuns em áreas de fronteira com habitats naturais.
- O avanço do desmatamento reduz o território natural da onça, aumentando os ataques ao gado; medidas preventivas incluem recolher o gado à noite, usar cães de guarda e monitorar com câmeras.
Um vídeo gravado por moradores da zona rural de Buriti Alegre, no interior de Goiás, registrou o rastro devastador de uma onça de grande porte que invadiu uma propriedade rural e arrastou uma bezerra de aproximadamente 150 kg para o interior da mata. As imagens circulam nas redes sociais e reacendem o debate sobre a convivência entre a pecuária e a fauna selvagem no Cerrado.
As gravações mostram o caminho percorrido pelo felino pela vegetação. Galhos deslocados, marcas em troncos caídos e um rastro contínuo levam até a área de mata mais fechada onde o animal escondeu a presa. A cena mais impactante revela a bezerra já movida pelo predador, evidenciando a força extraordinária do animal.
Um predador de elite
A onça-pintada (Panthera onca) é o maior felino das Américas e o terceiro maior do mundo, podendo atingir mais de 100 kg. Diferente de outros grandes felinos, ela não sufoca a presa, mas mata com uma mordida direta no crânio ou na coluna cervical. Sua força muscular permite arrastar presas muito maiores do que seu próprio peso por centenas de metros, inclusive morro acima.
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Ataques atingem bovinos adultos e bezerros com frequência em regiões de fronteira entre áreas de Cerrado preservado e propriedades rurais. No Mato Grosso do Sul, Pará e Goiás, o conflito entre onças e pecuaristas representa um dos principais obstáculos à conservação da espécie. Segundo o Instituto Onça-Pintada, o Brasil abriga a maior população do felino no mundo, estimada entre 10 mil e 15 mil indivíduos. Mas a pressão sobre habitats fragmentados empurra os animais cada vez mais para áreas habitadas.
Ataques semelhantes no Brasil
Casos como o de Buriti Alegre não são isolados. Em 2023, fazendeiros do município de Cocalinho (MT) relataram ataques sucessivos a bezerros e novilhas em pastagens próximas ao Pantanal. Em 2024, produtores do sul do Pará registraram perdas de animais de até 200 kg atribuídas a onças que avançaram sobre áreas desmatadas em busca de território.
Especialistas apontam que o avanço do desmatamento reduz a área de caça natural do felino, tornando o gado uma alternativa alimentar mais acessível. Quando a onça aprende que o gado é presa fácil, o conflito se torna crônico.
O que fazer diante do risco
Criadores que atuam em regiões de ocorrência do felino podem adotar medidas preventivas como recolher o gado jovem ao anoitecer, utilizar cães de guarda de raças específicas, como o Kangal e o Pastor de Anatólia. E instalar câmeras de monitoramento nos corredores de vegetação próximos às pastagens.
O episódio em Buriti Alegre serve de alerta para produtores da região. Mais do que um registro curioso da fauna local, o vídeo documenta a presença ativa de um predador de topo de cadeia e a necessidade urgente de estratégias que protejam tanto o rebanho quanto o animal.