Espécie criticamente ameaçada foi redescoberta em áreas protegidas de Madagascar, com menos de 50 indivíduos conhecidos
palmeira rara encontrada em Madagascar
Foto: Louis Aureglia

Uma palmeira rara reapareceu em Madagascar após quase um século sem registros científicos. Pesquisadores identificaram 28 indivíduos da espécie Ravenea latisecta em áreas protegidas da região de Andasibe-Mantadia, no leste do país.

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O achado reforça a importância da conservação e evidencia lacunas no conhecimento sobre a flora da ilha, considerada um dos principais pontos de biodiversidade do planeta.

A equipe liderada por Louis Aureglia, da Universidade Aix-Marseille, iniciou expedições de campo em 2024 com o objetivo de localizar espécies do gênero Ravenea em ambiente natural. Os pesquisadores também revisaram amostras históricas armazenadas em herbários para validar registros antigos.

Apesar de as palmeiras apresentarem grande porte, o grupo enfrentou dificuldades na identificação. Muitas espécies do gênero Ravenea possuem características semelhantes fora do período de floração, o que dificulta a distinção em campo.

A confirmação da espécie ocorreu quando os cientistas encontraram indivíduos férteis, com inflorescências, estruturas que concentram flores. A presença de plantas masculinas e femininas permitiu validar a identificação com precisão.

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A Ravenea latisecta apresenta reprodução dioica, ou seja, produz flores masculinas e femininas em plantas separadas. Esse fator torna o processo de identificação ainda mais dependente da observação de exemplares em floração.

Onde a palmeira foi encontrada

Os pesquisadores localizaram a maioria dos indivíduos em quatro áreas: Reserva Vohimana, Parque Nacional Analamazoatra, Parque Nacional Mantadia e a reserva privada Vakona Forest.

O registro atual surge quase 100 anos após a primeira descrição da espécie, feita com base em um exemplar coletado em 1927. Tentativas anteriores de identificação, incluindo amostras de 1992, apresentaram inconsistências e erros de classificação.

Com menos de 50 indivíduos maduros conhecidos, a Ravenea latisecta integra a lista de espécies criticamente ameaçadas da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN).

Os cientistas ainda não determinaram se a raridade da palmeira resulta de características naturais ou de pressões ambientais. As áreas onde a espécie ocorre enfrentam impactos da agricultura de corte e queima e da perda de cobertura florestal nas bordas.

Apesar disso, os pesquisadores não encontraram evidências de exploração direta da espécie por comunidades locais. O grupo destaca a necessidade de monitoramento contínuo para entender a dinâmica populacional e os riscos envolvidos.

Outro desafio envolve a conservação fora do habitat natural. A equipe não identificou exemplares confirmados em cultivo nem encontrou indivíduos com frutos durante as expedições, o que impede, até o momento, a coleta de sementes para programas de propagação e conservação ex situ.

A redescoberta da Ravenea latisecta reforça que mesmo regiões consideradas bem estudadas ainda podem abrigar espécies raras e pouco conhecidas, ampliando a urgência de ações de conservação em Madagascar.