Pesquisas com vacas Holandesas indicam que cerca de 30% do leite fica na fração cisternal e 70% na alveolar; manejo, intervalo entre ordenhas e genética definem quanto é retirado em cada ordenha
Foto de Screenroad na Unsplash

Uma vaca de alta produção entrega 30, 40, 50 litros de leite ou mais por dia. Esse volume, no entanto, não fica todo ao mesmo tempo no úbere. A glândula mamária funciona como uma fábrica com áreas de produção e armazenamento interligadas, e não como um “tanque”.

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Os alvéolos mamários produzem leite continuamente. Em seguida, o leite se desloca para os ductos e cisternas do úbere e dos tetos. Por isso, a capacidade de armazenamento varia entre animais, raças, estágio da lactação e intervalo entre ordenhas.

Onde fica o leite no úbere?

O úbere é a glândula mamária da vaca e fica na parte traseira do animal, entre as pernas posteriores. Não existe um número fixo de litros que “caibam” nessa estrutura. A capacidade depende de genética, conformação e tamanho do úbere, número de lactações, produção individual e intervalo entre ordenhas.

Em um estudo clássico, vacas no pico da lactação tiveram, após 12 horas, cerca de 5,08 kg de leite só na fração cisternal. Já animais em lactação mais avançada tinham aproximadamente 2,60 kg nessa região. O restante permaneceu principalmente na fração alveolar.

Outro trabalho, com vacas Holandesas, encontrou, em média, cerca de 30% do leite na região cisternal e 70% na alveolar. Portanto, não faz sentido buscar uma resposta única, como “cabem exatamente 20 ou 30 litros”.

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Uma vaca de 40 litros não carrega 40 litros de uma vez

Em um sistema com duas ordenhas diárias, uma conta simples indica cerca de 20 litros por ordenha para uma vaca de 40 litros/dia. Na prática, porém, a divisão não é exata. A produção varia ao longo do dia e, além disso, fatores como alimentação, temperatura, conforto e rotina interferem no resultado.

Em propriedades com três ordenhas, o intervalo é menor e o produtor retira o leite produzido em 24 horas em várias etapas. Assim, 40 litros por dia não significam 40 litros acumulados ao mesmo tempo no úbere.

Por que o manejo da ordenha importa

Parte do leite fica nas cisternas e sai mais facilmente no início da ordenha. Outra parte importante permanece nos alvéolos. Em estudo com intervalos de 4 a 24 horas entre ordenhas em Holandesas, as frações cisternal e alveolar representaram, em média, 30% e 70% do leite armazenado.

Durante a preparação para a ordenha, estímulos adequados favorecem a liberação de ocitocina. O hormônio contrai as células que envolvem os alvéolos e, consequentemente, ajuda a levar o leite para os ductos e cisternas. Por isso, manejo, ambiente e rotina de ordenha afetam diretamente a eficiência da retirada do leite.

E se a vaca fica muito tempo sem ser ordenhada?

O úbere se adapta ao acúmulo por um tempo, mas essa capacidade não é infinita. Conforme o leite se acumula, a distribuição entre as regiões alveolar e cisternal muda. Em uma pesquisa, a secreção permaneceu relativamente constante até 12 horas.

Em outro estudo com ultrassonografia, a área das cisternas e o volume de leite cisternal aumentaram com o intervalo entre ordenhas, com tendência de estabilização após cerca de 16 horas. Dessa forma, intervalos muito longos não fazem o úbere “crescer indefinidamente”. A fisiologia da glândula responde ao acúmulo.

Vacas de alta produção são fábricas biológicas

Vacas leiteiras modernas foram selecionadas geneticamente para transformar alimento, água e nutrientes em grandes volumes de leite. Para sustentar essa produção, o organismo mantém intensa circulação sanguínea pela glândula mamária e alta demanda por energia, proteína, minerais e água.

Isso explica por que nutrição, água, conforto térmico, saúde do úbere e manejo correto são essenciais em sistemas de alta produtividade. Quanto maior o potencial genético, maior também é a necessidade de oferecer condições adequadas para que o animal expresse essa genética.

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Afinal, quanto leite cabe numa vaca?

Depende da vaca e do momento. Não há capacidade fixa para todos os animais. O leite não fica em um único compartimento. Parte ocupa cisternas e ductos. Uma parcela expressiva permanece nos alvéolos até o reflexo de ejeção permitir sua retirada na ordenha.

Os 40 ou 50 litros diários de uma Holandesa representam a produção acumulada em 24 horas, e não necessariamente o volume que estava no úbere de uma só vez. Dessa forma, é a combinação entre produção contínua, capacidade de armazenamento e ordenhas ao longo do dia que permite esses volumes.