País seguirá exigências europeias para importação de proteínas animais a partir de setembro de 2026

O Brasil pode enfrentar novas restrições para exportar carnes e produtos de origem animal ao Reino Unido. O país decidiu adotar as mesmas exigências sanitárias aplicadas pela União Europeia sobre o uso de antimicrobianos.

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Embora tenha deixado o bloco europeu em 2020, o Reino Unido busca harmonizar suas regras sanitárias e fitossanitárias com as normas da UE.

Ação brasileira

Nesta semana, o Ministério da Agricultura (Mapa) enviou um ofício aos auditores fiscais agropecuários. O documento reforça que os procedimentos exigidos pela União Europeia também valem para o mercado britânico.

As regras abrangem carne bovina, carne de aves, carne equina, pescado, mel, ovos, ovoprodutos e envoltórios. Segundo o documento, apenas produtos que atendam aos requisitos europeus poderão receber certificação sanitária internacional.

A exigência entrará em vigor em 3 de setembro de 2026. A data considera a emissão da certificação na origem, independentemente da chegada da carga ao destino. Enquanto isso, o governo brasileiro tenta reverter as restrições impostas pela União Europeia.

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Lista da UE exclui o Brasil

Na última sexta-feira, a UE divulgou a lista de países autorizados a exportar carnes e derivados dentro das novas regras. O bloco manteve o Brasil fora da relação. A decisão reforçou as dificuldades das negociações entre Brasília e Bruxelas. Até o momento, não houve avanços capazes de alterar o posicionamento europeu.

Fontes ligadas às tratativas classificam a medida como uma barreira comercial injustificável. A avaliação ganhou força após a entrada em vigor do acordo entre Mercosul e União Europeia, em maio.

O Ministério da Agricultura pediu respeito às normas brasileiras. Além disso, afirmou que o país mantém elevados padrões sanitários na produção animal. O ofício também determina que os frigoríficos habilitados para exportação implementem controles auditáveis. Esses mecanismos devem comprovar o cumprimento das exigências relacionadas ao uso de antimicrobianos.

Os estabelecimentos precisam garantir a rastreabilidade das matérias-primas e dos animais utilizados na produção. Além disso, devem manter registros atualizados e identificar produtos elegíveis e não elegíveis para exportação.

As empresas também precisam adotar sistemas para bloquear lotes que percam a condição de elegibilidade. Os registros deverão permanecer disponíveis para verificação pelos serviços oficiais de fiscalização. Segundo o Ministério da Agricultura, cada estabelecimento responde pela implementação dos controles.

Já o Serviço Oficial deve verificar a adequação, a aplicação e a efetividade dos procedimentos adotados. A fiscalização do uso de medicamentos veterinários nas propriedades rurais permanece sob responsabilidade do Serviço Veterinário Oficial.

Exigências x cadeias produtivas

As exigências variam conforme cada cadeia produtiva.

Na avicultura, por exemplo, os exportadores devem comprovar que as aves não receberam antimicrobianos proibidos pela legislação europeia. Nesse caso, a inspeção federal deve verificar toda a documentação que sustenta a elegibilidade dos lotes.

Na cadeia bovina, os auditores precisam analisar certificados de transição de todos os lotes classificados para exportação à União Europeia.

A fiscalização também inclui conferências documentais e cruzamento de informações com sistemas oficiais de rastreabilidade. Além disso, os auditores devem verificar a implementação dos programas de autocontrole previstos na legislação.

O ministério informou que não existem produtos veterinários registrados para promoção de crescimento em equinos, aquicultura e apicultura. Mesmo assim, essas cadeias continuam sujeitas às exigências de rastreabilidade e comprovação de elegibilidade.

As determinações não se aplicam a produtos como gelatina, colágeno, produtos altamente refinados e animais selvagens.

A legislação europeia proíbe o uso de antimicrobianos reservados ao tratamento de infecções humanas. A restrição inclui grupos específicos de antibióticos, antivirais e antiprotozoários.

Entre os produtos vetados estão carbapenêmicos, glicopeptídeos, oxazolidinonas, molnupiravir, oseltamivir, zanamivir e nitazoxanida.

Mesmo fora da União Europeia, o Reino Unido pretende alinhar suas normas de segurança alimentar às regras europeias. A estratégia busca reduzir barreiras regulatórias e simplificar os controles sanitários entre os mercados.