Levantamento da Farsul mostra que quase 37% das exportações do setor aos Estados Unidos podem ser impactadas pelas novas tarifas
Imagem mostra uma visão de um porto com navio atracado e vários contêineres posicionados no chão
Foto: Diego Baravelli/ Ministério da Infraestrutura (MINFRA)

Um estudo da Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul) aponta que a aplicação de uma sobretaxa de 25% sobre parte das importações brasileiras pode afetar diretamente cerca de US$ 4,2 bilhões em exportações do agronegócio para os Estados Unidos.

CONTINUA APÓS A PUBLICIDADE

Segundo a entidade, embora alguns produtos importantes tenham ficado fora da lista inicial de tarifas, uma parcela significativa das vendas do setor ao mercado americano continua exposta às novas medidas.

De acordo com o levantamento, aproximadamente 36,8% das exportações do agronegócio brasileiro destinadas aos Estados Unidos poderão sofrer impacto caso a sobretaxa seja mantida.

Produtos mais expostos às tarifas

Entre os segmentos mais vulneráveis estão os produtos florestais, que representam cerca de US$ 1,64 bilhão em exportações para o mercado americano.

Também aparecem entre os itens mais afetados:

CONTINUA APÓS A PUBLICIDADE
  • Sebo bovino: US$ 416 milhões;
  • Complexo sucroalcooleiro: US$ 401 milhões;
  • Café solúvel: aproximadamente US$ 1 bilhão em exportações projetadas para 2025.

Esses setores possuem forte presença nas vendas brasileiras aos Estados Unidos e podem enfrentar perda de competitividade caso as tarifas sejam implementadas.

Produtos que ficaram fora da lista

Além disso, o estudo também destaca que alguns dos principais produtos exportados pelo Brasil ficaram de fora da relação inicial de itens sujeitos à sobretaxa.

Entre eles estão a carne bovina, o café verde, o suco de laranja e as aeronaves, que, até o momento, seguem preservados das novas tarifas e mantêm as atuais condições de acesso ao mercado americano.

Farsul vê aumento da insegurança para exportadores

Na avaliação da Farsul, a proposta amplia a insegurança para empresas exportadoras e pode reduzir a competitividade de diversos segmentos do agronegócio brasileiro.

A entidade ressalta que os Estados Unidos permanecem entre os principais destinos das exportações do setor, tornando qualquer alteração nas regras comerciais um fator relevante para produtores, indústrias e empresas ligadas ao comércio exterior.

Caso a medida avance, os impactos poderão ser sentidos principalmente pelas cadeias produtivas com maior dependência do mercado americano, especialmente nos segmentos florestal, sucroalcooleiro e de café solúvel.