Produção global supera 100 milhões de toneladas, enquanto a tilapicultura brasileira enfrenta desafios de mercado e regulação

A aquicultura cresce no mundo e já ultrapassou 100 milhões de toneladas de produção de animais aquáticos. Ao mesmo tempo, mudanças ambientais, pressão das importações e alterações regulatórias criam novos desafios para produtores e empresas do setor.

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Segundo o relatório da FAO, a produção aquícola alcançou 103 milhões de toneladas em 2024 e passou a representar 53% da produção mundial de animais aquáticos. Além disso, o crescimento ocorre em um cenário de mudanças climáticas que exige maior atenção às condições ambientais e aos sistemas de produção.

Mudanças climáticas aumentam os riscos

O aquecimento dos oceanos pode afetar a oferta de pescado e pressionar as cadeias que dependem dos recursos aquáticos. Entretanto, o impacto varia conforme a espécie, a região e o sistema de produção.

Por isso, os produtores precisam acompanhar as condições ambientais com mais atenção. Além de fatores como ração, genética e demanda, o planejamento da aquicultura deve considerar os efeitos do clima e a estabilidade dos sistemas de cultivo.

Tilápia enfrenta pressão das importações

No Brasil, a tilapicultura enfrentou pressão no primeiro semestre. De acordo com a PeixeBR, a queda sazonal do consumo e o avanço das importações contribuíram para pressionar os preços do pescado.

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Ainda assim, a entidade projeta recuperação dos preços nos meses seguintes. Essa projeção representa uma expectativa do setor e, portanto, não garante uma alta. Nesse cenário, o comportamento do consumo e das importações continuará influenciando o mercado.

Além disso, as importações de tilápia mudaram ao longo do ano. Dados da Embrapa Pesca e Aquicultura divulgados pela PeixeBR mostram que as compras de tilápia vietnamita caíram de 1.956 toneladas em março para 957 toneladas em julho.

Regras estaduais entram no cenário

Além das condições de mercado, a regulação também interfere na atividade. Em Mato Grosso do Sul, a PeixeBR apresentou ao governo estadual demandas relacionadas a normas que afetam produtores e empresas de aquicultura.

Segundo a entidade, o governo assumiu o compromisso de revisar um decreto relacionado ao setor. No entanto, o material disponível não permite antecipar os efeitos econômicos de uma eventual mudança.

Assim, produtores e empresas precisam acompanhar a regulamentação. Alterações nas regras podem modificar custos, condições de comercialização ou exigências para a atividade.

Monitoramento ambiental ganha importância

A agenda ambiental também avança em outras cadeias da produção animal. Por exemplo, métodos para monitorar emissões de amônia em instalações de frangos mostram como os indicadores ambientais ganham espaço na gestão das propriedades.

Na aquicultura, a relação entre produção e clima reforça essa necessidade de monitoramento. Dessa forma, o crescimento do setor ocorre junto com desafios ambientais, comerciais e regulatórios.

Nesse cenário, produtores precisam acompanhar não apenas a expansão da demanda por pescado, mas também as condições climáticas, o comportamento das importações e as mudanças nas regras que afetam a atividade.

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