Auditoria também avaliou a cadeia de aves; carne bovina brasileira continua fora da lista de fornecedores autorizados pelo bloco europeu
Foto: Divulgação.

União Europeia considerou satisfatórios os controles sanitários que São Paulo aplica à cadeia do mel. Essa avaliação integra a auditoria que abre caminho para o Brasil voltar à lista de fornecedores autorizados a exportar mel e carne de aves ao bloco europeu.

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O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) confirmou o resultado positivo em nível nacional. Segundo o ministro André de Paula, os próximos passos dependem agora do trâmite burocrático europeu. “Muito rapidamente nós vamos ver o Brasil de volta à lista”, afirmou.

Ainda assim, a retomada não acontece automaticamente. Antes de qualquer decisão final, a UE precisa enviar o relatório oficial da auditoria, e o Brasil precisa apresentar seus comentários ao comitê técnico do bloco responsável pela lista de países autorizados.

Por que o Brasil estava fora da lista

Meses atrás, o bloco europeu retirou o Brasil da relação de fornecedores autorizados. A UE justificou a exclusão pela falta de comprovação de controles sobre uso de antimicrobianos nas cadeias produtivas de origem animal. Nesta semana, porém, o bloqueio efetivo a novas cargas brasileiras passou a valer na prática.

Nesse contexto, técnicos europeus visitaram o Brasil para checar in loco os procedimentos adotados nos setores de mel e frango. A missão percorreu estabelecimentos produtivos e órgãos de defesa agropecuária em diferentes estados, entre eles São Paulo, Paraná, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul.

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Em São Paulo, a Secretaria de Agricultura e Abastecimento e a Defesa Agropecuária apresentaram aos auditores o trabalho de vigilância que mantêm nos apiários desde 2023. Além disso, mostraram o cadastro de produtores, os mecanismos de rastreabilidade da cadeia apícola e as ações de educação sanitária que desenvolvem junto a quem produz mel no estado.

O que ainda falta para reabrir o mercado

A avaliação positiva cobre apenas mel e carne de aves. Por outro lado, a carne bovina brasileira continua fora da lista de fornecedores que a UE autoriza, sem data prevista para reversão.

O episódio também gerou atrito diplomático. O governo brasileiro classificou a restrição original como uma medida que a UE adotou sem diálogo prévio e, diante disso, não descartou aplicar reciprocidade caso as negociações não avancem. A União Europeia, por sua vez, considera proporcional e não discriminatória a própria decisão.

Até agora, não existem números oficiais de quanto São Paulo movimenta em exportação de mel para o bloco europeu. Como referência de escala, Minas Gerais, outro estado auditado exportou US$ 3 milhões em mel e US$ 20 milhões em carne de aves à UE nos sete primeiros meses do ano. Ainda assim, essa cifra representa uma fatia pequena diante dos US$ 2,6 bilhões que o estado exportou em café ao bloco no mesmo período.