Resumo da notícia
- O cultivo de uvas piwi, híbridas europeias resistentes a doenças, pode reduzir drasticamente o uso de fungicidas, com até 30 aplicações a menos contra míldio e oídio em comparação às viníferas tradicionais.
- Testes da Epamig com variedades como Merlot Khantus e Cabernet Volos mostraram safras produtivas e bom índice de qualidade, com resultados promissores para vinhos finos e menor impacto ambiental.
- Produtores locais ampliam o cultivo das piwis, destacando menor necessidade de defensivos e custos reduzidos, reforçando o potencial dessas uvas para o futuro da viticultura na região.
O cultivo de uvas para vinhos finos pode exigir até 30 aplicações de fungicidas por safra contra o míldio e o oídio. No entanto, testes com uvas piwi mostram que algumas variedades podem reduzir bastante essa necessidade.
Além disso, as piwis são híbridos europeus resistentes a doenças. Segundo Claudia Souza, pesquisadora da Epamig, essas variedades têm mais de 85% de genes da espécie Vitis vinifera, usada na produção de vinhos finos.
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Testes reduzem aplicações de fungicida
Inicialmente, a Epamig iniciou os testes com mudas importadas da Itália em 2021, em parceria com a Vinícola Stella Valentino, em Andradas, no Sul de Minas. Na primeira etapa, foram plantadas 50 mudas de oito variedades, entre elas Cabernet Volos, Merlot Khantus, Fleurtai e Soreli.
Posteriormente, as uvas foram colhidas em 2023 e 2024. Já nos testes de 2024 e 2025, não houve aplicação contra o míldio e foram feitas apenas três aplicações contra o oídio, em vez das 30 citadas para o cultivo convencional.
“As piwis responderam muito bem no verão, com safras mais produtivas do que a das viníferas europeias puras e com bom índice de qualidade. Em 2024 e 2025, não aplicamos nada para controle do míldio e fizemos apenas três (em vez de 30) aplicações de fungicida para o oídio. Vinificamos uma pequena quantidade para avaliar o vinho e o resultado sensorial foi bom”, diz Claudia Souza, que encerrou a pesquisa no ano passado.
Ainda assim, os resultados correspondem aos testes realizados nas propriedades citadas. Portanto, não garantem o mesmo desempenho em outras regiões.
Produtores ampliam os testes
Após o fim da parceria com a Epamig, José Stella plantou 500 mudas de Merlot Khantus e Fleurtai. Além disso, pretende acompanhar a produção durante três anos para avaliar a qualidade dos vinhos.
“Acredito que o futuro da viticultura na nossa região são essas uvas híbridas. Além de muito produtivas, não dão trabalho e não precisam de muita mão de obra. Não fiz nenhuma aplicação de defensivo nas novas plantas”, afirma.
Enquanto isso, em Bom Jesus do Amparo, o médico Helvécio Teles Teixeira também testa as piwis. Em 2023, ele trouxe 60 mudas de Sauvignon Kratos e Cabernet Volos.
Segundo o produtor, o plantio está dando certo e a necessidade de defensivos é menor. “Agora, o plantio está dando certo. Vi que a necessidade de defensivos é bem menor e só usei orgânicos. Há dois anos, teve muita umidade no sítio e perdi quase toda a safra. Só as uvas piwis produziram. Meu plano é fazer a primeira colheita no verão e enviar as uvas para vinificação na Epamig.”
Potencial para reduzir custos
Além da menor necessidade de fungicidas, os produtores avaliam o potencial das piwis para reduzir custos e ampliar a oferta de vinhos. Nesse sentido, Claudia Souza afirma que a expansão depende de mais produtores e de enólogos dispostos a trabalhar com essas variedades.
“A chance de expandir realmente o plantio das piwis é no novo mundo. É um produto de nicho de mercado para o consumidor que deseja tomar um vinho com uma pegada agroecológica e sustentável.”
Por fim, a pesquisadora considera necessário ampliar os testes antes de uma expansão maior do cultivo no país.