Resumo da notícia
- A Vinícola Essenza inicia a colheita da safra 2026 na Serra da Mantiqueira, utilizando a colheita de verão para melhor controle da maturação e preservação das características naturais das uvas.
- A produção está distribuída em dois terroirs entre MG e SP, com diversidade de microclimas e solos que ajudam a definir a identidade dos vinhos cultivados em 51 hectares com variedades estratégicas.
- A safra 2026 terá crescimento de 40% na produção, chegando a mais de 25 mil litros, impulsionada pela expansão das áreas produtivas e aprimoramento dos protocolos de manejo, refletindo investimento e amadurecimento da operação.
A Vinícola Essenza dá início, neste fim de fevereiro, à colheita que vai originar a safra 2026 de seus vinhos. O processo acontece em vinhedos situados entre 1.200 e 1.910 metros de altitude na Serra da Mantiqueira, reconhecidos como os mais altos do mundo. E segue um modelo adotado por poucas produtoras no Brasil: a colheita de verão, que antecipa etapas do calendário vitivinícola tradicional, normalmente concentrado no inverno.
A decisão de colher fora da época convencional não é uma curiosidade logística. É uma escolha técnica que, segundo o produtor e proprietário Herbert Sales, permite maior controle sobre a maturação das uvas e favorece a preservação das características naturais da fruta. “A colheita de verão exige atenção em todas as fases, porque o clima impõe desafios que só podem ser superados com método e disciplina”, afirma Sales.
Dois terroirs, um único território
A produção da Essenza está distribuída em dois terroirs na Serra da Mantiqueira. O primeiro fica no Refúgio Tuiuva, em Maria da Fé (MG), onde estão concentrados o olival e o vinhedo e onde ocorre boa parte do manejo agrícola. O segundo corresponde à sede da vinícola, instalada a 14 quilômetros de Santo Antônio do Pinhal (SP), que além das áreas de cultivo recebe visitantes para experiências que conectam produção e degustação.
A propriedade ocupa cerca de 51 hectares e cultiva variedades como Alvarinho, Sauvignon Blanc, Shiraz, Merlot, Cabernet Franc, Pinot Noir e Chardonnay. As parreiras têm, em média, cinco anos de idade. Essa fase é considerada estratégica para o equilíbrio entre produtividade e estrutura dos vinhos. “Estamos em um momento em que os vinhedos começam a expressar com mais clareza o perfil que buscamos”, observa Sales.
A divisão entre os dois terroirs é, para o produtor, uma vantagem técnica deliberada. “Ela permite diversificar microclimas, solos e regimes de insolação ao longo do ano. O terroir não é apenas um fator geográfico. Ele define a identidade do produto e orienta nosso trabalho no campo e na adega”, explica.
Crescimento de 40% na produção
Na safra anterior, a Essenza produziu aproximadamente 18 mil litros. Para o ciclo de 2026, a projeção ultrapassa os 25 mil litros. Um crescimento de cerca de 40%, impulsionado pela expansão das áreas produtivas e pela consolidação dos protocolos de manejo. “Esse crescimento reflete planejamento técnico, investimento em campo e amadurecimento da operação”, afirma Sales.
O avanço ocorre em um contexto de estabilidade do mercado consumidor. Dados da Organização Internacional da Vinha e do Vinho (OIV) e do Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin) indicam que o consumo per capita de vinho no Brasil permaneceu próximo de 2 litros por habitante em 2025. É abaixo de mercados tradicionais, mas com tendência de recuperação gradual. Para 2026, o setor projeta retomada moderada, sustentada pelo crescimento do enoturismo, pela ampliação da oferta nacional e pelo interesse do consumidor por vinhos de origem identificada.
Do campo à taça, com rastreabilidade
O processo produtivo da safra 2026 inclui colheita manual, seleção criteriosa dos cachos e vinificação adaptada a cada variedade. Os tempos de fermentação e maturação são definidos conforme o perfil pretendido para cada rótulo. “Cada vinho nasce de uma decisão técnica, não de improviso”, ressalta o produtor.

Essa abordagem integra o conceito central da vinícola: estabelecer conexão direta entre o ambiente de produção e o perfil dos vinhos entregues ao mercado, com origem controlada e rastreabilidade. “A colheita de verão, o trabalho nos dois terroirs e o respeito às condições naturais da Mantiqueira formam a base do que entregamos em cada garrafa. Nosso compromisso é transformar esse território em identidade, não apenas em volume”, conclui Sales.
Vindima aberta ao público em março
A integração entre produção e turismo é parte estrutural da estratégia da Essenza. No dia 1º de março, a vinícola realiza a Vindima Essenza, evento fechado e imersivo em que o público poderá acompanhar etapas da colheita no campo e na adega, com acesso ao processo produtivo e à cultura vitivinícola da região.
A vinícola integra as Rotas do Vinho de São Paulo, rede que reúne 66 vinícolas em todo o estado, e se destaca pela estrutura que combina visita técnica, menu harmonizado e loja de produtos regionais.
Os vinhos da Essenza acumulam reconhecimento em concursos de referência. O Shiraz Rosé recebeu Duplo Ouro no Wine of Brasil Awards, além de premiações no International Wine & Spirit Competition e no Decanter World Wine Awards. Já o Alvarinho Mantikir foi premiado no International Wine Challenge, em Londres — um dos concursos de vinhos mais respeitados do mundo.








