Aquífero São Sebastião coloca cidade no mapa da indústria cervejeira brasileira
Foto: Ascom SeturBA

Localizada a 114 quilômetros de Salvador, no agreste baiano, Alagoinhas conquistou o título oficial de Capital Estadual da Cerveja em outubro de 2023. O município não recebeu o reconhecimento por acaso: fatores geológicos, infraestrutura logística e capacidade industrial transformaram a cidade em referência estratégica para o setor de bebidas no Brasil.

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Foto: Ascom SeturBA

O diferencial competitivo está embaixo dos pés dos 160 mil habitantes. O Aquífero São Sebastião, que passa sob o município, fornece água de excelente qualidade físico-química Movimento Econômico que requer pH próximo do neutro (7), ideal para a produção de bebidas alcóolicas e não alcóolicas.

A qualidade natural da água reduz custos operacionais significativamente. Segundo a mestre cervejeira Debora Lehnen, quando uma fábrica se localiza numa região com abundância e qualidade para produção de cerveja, os custos para tratamento caem, pois a água já apresenta baixa poluição e quantidade reduzida de sais.

Gigantes mundiais investem R$ 3 bilhões

Grupo Petrópolis, Heineken, Latapack Ball, Indústria São Miguel e outras empresas já investiram cerca de R$ 3 bilhões na região nos últimos anos Alagoinhas. Juntas, as duas principais cervejarias geram entre 1.700 e 1.800 empregos diretos.

O Grupo Petrópolis chegou à cidade em 2013 e já passou por duas ampliações, dobrando a produção de cerveja, e hoje gera cerca de mil empregos diretos e quatro mil indiretos 24. A empresa produz 124 mil garrafas a cada hora em Alagoinhas.

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A Heineken, que opera no município desde 1997, anunciou em maio de 2023 investimentos de R$ 320 milhões para aumentar em 60% a produção de bebidas e emprega 600 profissionais locais.

Cadeia produtiva completa

O polo cervejeiro alagoinhense vai além das fábricas de cerveja. A cidade abriga uma ampla cadeia produtiva, que inclui fábricas de tampinhas, rótulos, latas, engradados e embalagens ligadas à produção cervejeira.

Foto: Wenderson Araujo/Trilux/Sistema CNA Senar

Essa estrutura completa permite que aproximadamente 90% dos colaboradores sejam da própria Alagoinhas.

A geografia privilegiada coloca Alagoinhas no centro de uma região de alto consumo. A produção abastece principalmente Bahia e Sergipe, além de parte do Piauí e Maranhão. Segundo gestores do setor, o eixo entre Alagoinhas, Camaçari, Feira de Santana e Salvador forma um mercado cervejeiro robusto.

Cervejarias artesanais crescem com o mesmo recurso

O mesmo aquífero que atrai multinacionais alimenta cervejarias artesanais locais, criando diversidade produtiva. O município combina produção industrial em larga escala com experiências cervejeiras autorais, aproveitando ingredientes regionais como frutas cítricas e cacau.

O festival Bahia Beer, realizado anualmente em novembro, reúne o Concurso Internacional de Cerveja (BBA), o Congresso Internacional de Cerveja (CONIB) e o concurso gastronômico Cerveja no Prato.

Em 2025, o BBA bateu recordes com mais de 1.500 amostras inscritas, de 199 cervejarias representando mais de 40 países. O evento consolidou Alagoinhas como referência em pesquisa, inovação e cultura cervejeira no Nordeste.

História marca transição de polo comercial a industrial

A trajetória de Alagoinhas começou no século 18 com missões da Igreja Católica. No século 19, a instalação da ferrovia impulsionou o desenvolvimento local, transformando a cidade em polo comercial e de serviços para mais de 30 municípios vizinhos.

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O escritor Ruy Barbosa batizou Alagoinhas como “pórtico de ouro do Sertão baiano”. Nas décadas de 1990 e 2000, a vocação industrial para bebidas emergiu quando a Schincariol (posteriormente Brasil Kirin e depois Heineken) descobriu o potencial hídrico da região.

Impacto econômico e social

Além da geração de empregos diretos e indiretos, as cervejarias contribuem com arrecadação de ISS, PIS e Cofins, além do FPM Movimento Econômico, mesmo com incentivos fiscais estaduais.

O setor cervejeiro reposicionou Alagoinhas no cenário econômico baiano, diversificando a base produtiva e atraindo investimentos complementares em logística, embalagens e serviços especializados.