Com crédito caro e produtor cauteloso, empresa chega à Agrishow com financiamentos a partir de 0% de entrada e um portfólio que vai do trator ao gerador
Em ano de juros altos e crédito restrito, YANMAR aposta em condições financeiras diferenciadas e planos de manutenção para destravar decisões de compra no campo. (Foto: Divulgação YANMAR)

O ambiente do agronegócio brasileiro em 2026 não está fácil. Taxas de juros elevadas, crédito rural mais restrito, incertezas em torno do Plano Safra e um produtor visivelmente mais cauteloso na hora de investir. Esse é o cenário que a YANMAR, multinacional japonesa de máquinas e soluções compactas, decidiu enfrentar com uma estratégia que vai além de simplesmente apresentar produtos na Agrishow.

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A empresa projeta crescimento de 20% nas vendas durante a feira, em comparação ao ano passado. Para o ano como um todo, a estimativa é mais conservadora: alta de cerca de 5% em relação a 2025. A diferença entre os dois números diz muito sobre o momento.

O que está travando os investimentos no campo

Antes de entender o que a YANMAR está fazendo, vale entender o que está segurando o produtor.

O cenário macroeconômico global continua pressionando. Tensões geopolíticas afetam cadeias de suprimento, os juros no Brasil continuam em patamares elevados e o acesso ao crédito rural ficou mais seletivo. Para completar, muitos produtores esperam as definições do Plano Safra antes de tomar qualquer decisão de compra maior.

É exatamente nesse contexto que a YANMAR tenta se posicionar como solução, não apenas como fornecedora de equipamentos.

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“Sabemos que o produtor está mais cauteloso neste momento, avaliando melhor seus investimentos diante das incertezas do cenário macroeconômico. Por isso, nossa estratégia na feira é justamente integrar soluções: apresentar um portfólio completo, aliado a condições comerciais competitivas, que facilitem a tomada de decisão”, afirma Anderson Oliveira, gerente Comercial da YANMAR South America.

O portfólio que a empresa vai apresentar

A YANMAR chega à Agrishow com uma proposta que cruza fronteiras entre setores. De um lado, as máquinas agrícolas tradicionais, como tratores e colheitadeiras de grãos. De outro, equipamentos da construção civil com aplicação direta no campo: miniescavadeiras, minipás carregadeiras e rompedores hidráulicos.

Somam-se a isso motores industriais, utilizados inclusive por outras marcas do setor, e grupos geradores voltados à autonomia energética das propriedades. Esses geradores também aparecem como suporte para uma demanda crescente: o carregamento de drones pulverizadores.

A ideia é que o produtor encontre, em um único estande, soluções para frentes muito diferentes da operação rural. Não é um portfólio genérico, mas uma tentativa de cobrir gargalos reais que vão desde a lavoura até a infraestrutura da propriedade.

Condições financeiras como argumento

Este é, provavelmente, o ponto central da estratégia para a Agrishow. Com o crédito caro e escasso, a empresa estruturou um leque de condições financeiras em parceria com DLL, Bradesco e Âncora Consórcios.

Para tratores e colheitadeiras cabinadas, as taxas vão de 4,49% a.a. a 11,72% a.a., com prazos entre 2 e 7 anos e entradas de 0% a 15%. As linhas disponíveis incluem Pronaf, CDC, Moderfrota e Pronamp, além de condições promocionais com entrada zero e taxas a partir de 4,91% a.a.

Já para os equipamentos de construção civil, as condições são distintas: a partir de 0,99% a.a., com prazos de até 5 anos e carência de até 3 meses. Para quem prefere o consórcio, há planos para tratores e miniescavadeiras com taxas de administração entre 9,99% e 14%, em modalidades com parcela integral ou reduzida até a contemplação.

Na prática, a empresa tenta tornar a decisão de compra viável mesmo para quem está com o caixa pressionado.

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Planos de manutenção: o negócio que começa depois da venda

Além das máquinas e do financiamento, a YANMAR apresentará planos de manutenção estruturados em três níveis, pensados para garantir que os equipamentos permaneçam operando sem interrupções desnecessárias.

O Plano Bronze é o mais básico, com peças originais voltadas à manutenção preventiva. O Plano Prata adiciona lubrificantes originais à equação. Já o Plano Ouro é o mais completo: inclui peças, lubrificantes, mão de obra autorizada e uma série de diferenciais como telemetria básica gratuita (para máquinas que possuem o sistema disponível), análise de óleo a cada 1.000 horas, prioridade no atendimento técnico, histórico técnico registrado e agendamento preferencial.

“Com essas estratégias, queremos reforçar nossa parceria com o produtor rural, oferecendo não apenas máquinas, mas um ecossistema completo de soluções voltadas à eficiência, produtividade e sustentabilidade financeira no campo”, conclui Oliveira.

A ideia por trás dos planos é clara: uma máquina parada no meio da safra representa prejuízo direto. Antecipar revisões e ter suporte garantido é, para muitos produtores, tão importante quanto a decisão de compra em si.

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O que a YANMAR está apostando, no fundo

A estratégia da empresa para a Agrishow 2026 revela algo que vai além da expectativa de crescimento de 20%. Em um mercado onde o crédito é caro e o produtor está mais exigente, a aposta é que oferecer apenas o produto não é mais suficiente.

A combinação de portfólio diversificado, condições financeiras acessíveis e planos de manutenção representa uma tentativa de capturar o cliente em diferentes momentos da decisão: na compra, no financiamento e na manutenção ao longo do tempo. É uma lógica de ecossistema que, dependendo da execução, pode transformar uma venda pontual em uma relação de longo prazo.