Resumo da notícia
- Angola prepara 800 mil hectares para operações de empresas brasileiras, visando ampliar produção agrícola, reduzir importações e desenvolver novas cadeias produtivas no país.
- Ministro angolano destaca mudança na parceria com Brasil, focando em investimentos, inovação e construção de cadeias produtivas para abastecer mercados nacionais e internacionais.
- Projeto Terra Lunda, na Lunda Norte, terá US$ 83,2 milhões investidos entre 2027 e 2030, com foco em infraestrutura e integração logística para fortalecer toda a cadeia produtiva agrícola.
A Angola prepara uma área de 800 mil hectares para receber operações de empresas brasileiras do agronegócio. A iniciativa faz parte da estratégia do governo angolano para ampliar a produção agrícola, reduzir a dependência de importações e desenvolver novas cadeias produtivas no país.
A proposta foi apresentada nesta quarta-feira (12) pelo ministro da Agricultura e Florestas de Angola, Isaac Maria dos Anjos, durante o Fórum do Agronegócio Angola-Brasil, realizado pelo LIDE Angola, em Luanda.
Segundo o governo, a área deverá ser disponibilizada para o levantamento e o ordenamento de operações empresariais integradas às comunidades locais.
Angola quer ampliar produção agrícola com investimentos brasileiros
Durante o evento, Isaac dos Anjos afirmou que a relação com o Brasil passa por uma nova fase.
Segundo o ministro, a intenção é avançar de uma cooperação predominantemente técnica para uma parceria voltada a investimentos, inovação e construção de cadeias produtivas.
“Queremos parceiros que produzam em Angola, transformem em Angola e contribuam para abastecer o mercado nacional e também conquistar mercados regionais e internacionais.”
A estratégia também busca reduzir a necessidade de importação de alimentos e aumentar a capacidade de exportação de produtos agrícolas.
Projeto Terra Lunda terá investimento de US$ 83,2 milhões
Além da área destinada a potenciais operações empresariais, o ministro apresentou o Projeto Terra Lunda, previsto para ser desenvolvido na província de Lunda Norte.
O empreendimento deverá ocupar aproximadamente 20 mil hectares e tem investimento estimado em US$ 83,2 milhões.
A previsão é que o projeto seja estruturado entre 2027 e 2030, com a incorporação de aproximadamente 5 mil hectares por ano.
A Lunda Norte já aparece entre as regiões de interesse para investidores brasileiros. Em fevereiro de 2026, empresários do Brasil avaliaram oportunidades agrícolas na província, incluindo a produção em larga escala de milho, soja, arroz, feijão e trigo.
Agricultura angolana busca formar cadeia produtiva
Para o governo angolano, a expansão da produção não depende apenas da disponibilidade de terras.
O país também precisa desenvolver infraestrutura para transportar, armazenar, processar e comercializar os produtos agrícolas.
Isaac dos Anjos destacou justamente esse desafio durante o fórum.
“Não basta produzir. É preciso que toda a cadeia seja construída, é preciso transportar, é preciso conservar, é preciso calibrar”, afirmou o ministro.
A estratégia aproxima o debate sobre produção agrícola de outros setores, como logística, armazenagem, processamento e infraestrutura.
Além disso, esse aspecto também ganha importância diante do potencial do Corredor do Lobito, considerado estratégico para conectar regiões produtoras de Angola ao litoral e facilitar o acesso a mercado internacional.
LIDE Angola é lançado durante fórum do agronegócio
O Fórum do Agronegócio Angola-Brasil também marcou o lançamento oficial do LIDE Angola.
Segundo Venceslau Andrade, presidente da nova unidade, a organização pretende manter uma plataforma permanente de diálogo entre empresas e investidores.
“Este não é apenas um evento empresarial. É o início de uma plataforma permanente de diálogo, cooperação e promoção de investimento entre Angola, o Brasil e os principais mercados internacionais”, afirmou.
A expectativa é que a aproximação estimule novos projetos entre empresas dos dois países, principalmente em setores ligados à produção agrícola e à agroindústria.
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