Resumo da notícia
- Pesquisadores da Embrapa, UFJF e Instituto Biológico identificaram a nova bactéria Moraxella tarda associada à ceratoconjuntivite infecciosa bovina, doença que pode comprometer a visão de bovinos jovens.
- A Moraxella tarda foi isolada na mucosa nasal de bovinos Hereford com sinais iniciais da doença e possui características genéticas únicas que a diferenciam de outras espécies do gênero Moraxella.
- A descoberta, iniciada em 2018, teve amostras depositadas em coleções internacionais para validação científica, garantindo reconhecimento global e disponibilidade para futuras pesquisas.
Pesquisadores da Embrapa, em parceria com a Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) e o Instituto Biológico (IB), identificaram uma nova espécie de bactéria associada à ceratoconjuntivite infecciosa bovina (CIB).
Conhecida entre produtores como mal do olho, doença do olho gordo ou pinkeye, a enfermidade afeta principalmente bovinos jovens e pode comprometer a visão dos animais.
A nova espécie foi denominada Moraxella tarda e foi isolada da mucosa nasal de bovinos da raça Hereford que apresentavam sinais iniciais da doença.
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Nova espécie de bactéria foi identificada em bovinos
A pesquisa envolveu equipes da Embrapa Pecuária Sul, Embrapa Gado de Leite e Embrapa Gado de Corte.
As coletas foram realizadas em campo, na Embrapa Pecuária Sul, no Rio Grande do Sul. Depois, as amostras foram encaminhadas para análises em laboratórios das unidades de Gado de Leite, em Minas Gerais, e Gado de Corte, em Mato Grosso do Sul.
Segundo os pesquisadores, o trabalho começou em 2018, com as primeiras coletas realizadas em campo.
“Essa conquista reflete uma jornada que começou em 2018 com as coletas em campo. O depósito nessas coleções valida definitivamente Moraxella tarda no catálogo global de microrganismos”, afirma a pesquisadora Marta Martins, autora correspondente da publicação.
Ainda de acordo com a pesquisadora, a descoberta foi resultado da cooperação entre as equipes e instituições envolvidas no estudo.
Bactéria tem características genéticas próprias
As amostras passaram por análises bioquímicas, fisiológicas e genômicas para determinar as características do microrganismo.
O processo permitiu diferenciar a nova espécie de outras bactérias do gênero Moraxella já associadas à enfermidade, como M. bovis e M. bovoculi.
O sequenciamento completo do genoma indicou que a bactéria possui identidade genética própria, característica utilizada pelos pesquisadores para sua classificação.
Para que a descoberta fosse reconhecida internacionalmente, também foram seguidos os critérios taxonômicos necessários para a descrição de uma nova espécie bacteriana.
Amostras foram depositadas em coleções microbiológicas
Parte das amostras de Moraxella tarda foi depositada em coleções microbiológicas da Bélgica, de Portugal e do Instituto Adolfo Lutz, em São Paulo.
Esse depósito faz parte do processo necessário para a validação científica de uma nova espécie bacteriana.
O procedimento também permite que o microrganismo fique disponível para futuras pesquisas e análises científicas.
A escolha do nome
O nome Moraxella tarda está relacionado ao comportamento da bactéria durante o crescimento em laboratório.
Segundo os pesquisadores, outras espécies do gênero costumam formar colônias em aproximadamente 24 horas. Já o novo microrganismo leva cerca de 48 horas para apresentar crescimento visível.
A característica chamou a atenção da equipe durante as análises e levou à realização de investigações adicionais, que confirmaram tratar-se de uma espécie inédita.
Descoberta pode ajudar no controle da doença
A identificação da bactéria amplia o conhecimento científico sobre a ceratoconjuntivite infecciosa bovina e pode contribuir para novas pesquisas relacionadas ao diagnóstico, à prevenção e ao controle da enfermidade.
O pesquisador da Embrapa Fernando Cardoso, um dos autores do trabalho, destaca que a descoberta pode contribuir para estudos envolvendo diferentes estratégias de controle.
Segundo ele, o conhecimento sobre o microrganismo pode ser importante para o desenvolvimento de vacinas polivalentes, além de estratégias como seleção de animais mais resistentes e medidas de manejo.
A descoberta, portanto, não significa que exista atualmente uma vacina específica disponível contra a nova espécie. Ela representa uma nova informação científica que pode subsidiar pesquisas futuras.
O que é a ceratoconjuntivite infecciosa bovina?
A ceratoconjuntivite infecciosa bovina (CIB) é uma enfermidade ocular que afeta bovinos, principalmente bezerros e animais de raças europeias, também chamadas de taurinas.
Entre os principais sinais estão:
- inflamação nos olhos;
- dor;
- lacrimejamento;
- lesões e úlceras na córnea;
- comprometimento da visão.
Em casos mais graves, a enfermidade pode provocar perda parcial ou total da visão.
Além dos impactos sobre o bem-estar dos animais, a doença também pode trazer consequências para a produtividade do rebanho. A dor contínua tende a reduzir o apetite e o ganho de peso.
O tratamento também exige manejo frequente dos animais, aumentando o trabalho necessário dentro da propriedade rural.