Resumo da notícia
- Amazônia discute uso sustentável da biodiversidade para gerar renda sem desmatamento, com o açaí como símbolo de um modelo econômico que valoriza produtos e comunidades locais.
- Sistemas Agroflorestais e saberes indígenas promovem produção que imita a floresta, protegendo o solo pobre e mantendo a dinâmica natural do bioma.
- Pagamentos por serviços ambientais incentivam conservação, oferecendo bônus para produtores de castanha e açaí, complementando a renda sem substituir atividades econômicas tradicionais.
No Dia da Amazônia, comemorado em 5 de setembro, a floresta ganha espaço em uma discussão que vai além da preservação: como transformar a biodiversidade em produção, renda e negócios sem derrubar árvores. Nesse cenário, o açaí emerge como um dos símbolos de um novo modelo econômico, que concilia o uso da terra com a conservação do bioma e valoriza produtos tradicionais das comunidades locais.
Além disso, o açaí da Amazônia ganha valor com pagamento por serviços ambientais. Dessa forma, comunidades recebem bônus por conservar a floresta e fortalecer cadeias sustentáveis de produtos como açaí, castanha e guaraná.
SAFs imitam a floresta e protegem o solo
Sistemas Agroflorestais (SAFs) e práticas indígenas aparecem como caminho para produzir sem derrubar. Sonia Sena Alfaia, pesquisadora do INPA e vencedora do Prêmio Fundação Bunge 2026, resume: “A agricultura na Amazônia deve tentar imitar a floresta, colocando em prática os conhecimentos milenares dos povos que habitam a região”.
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Combinar diferentes espécies na mesma área protege o solo e aproxima a produção da dinâmica florestal. “Os solos aqui são muito pobres, e não sustentam agricultura intensiva”, afirma Alfaia.
PSA entra na conta: o que é e o que não é
O PSA foi instituído pela Lei nº 14.119/2021 e funciona como reconhecimento econômico a quem mantém benefícios da natureza, como estoque de carbono e conservação da biodiversidade, explica a pesquisadora da Embrapa Lucia Wadt.
Na prática, o mecanismo acrescenta valor ao que já é produzido. Na Terra Indígena Rio Branco (RO), a castanha recebeu bônus de 20% na safra 2025/2026.
Wadt alerta: o percentual não é mensuração científica. “Trata-se de uma decisão comercial para remunerar a cooperativa acima do valor de mercado”, diz.
Renda complementar, não muleta financeira
O PSA não deve substituir a atividade econômica, mas complementar a renda de castanha, açaí, cacau e outros produtos. Para ganhar escala, é preciso ampliar compradores, criar rastreabilidade e fortalecer cooperativas.
Estudos mostram que terras indígenas reduziram o desmatamento em 48% a 83% na Amazônia Legal. “Estamos trabalhando para fortalecer essas cadeias, da produção à comercialização”, diz Alfaia.