Resumo da notícia
- A Stellantis reduziu a produção das picapes Fiat Titano e Ram Dakota em Córdoba, passando de dois para um turno devido à demanda abaixo do esperado e cortando a previsão para 2026 em 39%.
- As vendas combinadas das picapes totalizaram 6.679 unidades até agosto, muito atrás das líderes Toyota Hilux, Ford Ranger e Chevrolet S10, que vendem volumes quatro vezes maiores.
- A Fiat Titano teve queda de quase 46% nas vendas em agosto, enquanto a Ram Dakota cresceu 20% no mês, mas ainda busca espaço no mercado, mantendo a produção ajustada à baixa demanda.
A Stellantis decidiu pisar no freio na produção de duas de suas principais apostas no mercado de picapes. A fábrica de Córdoba, na Argentina, reduziu o ritmo de montagem da Fiat Titano e da Ram Dakota diante de uma demanda abaixo do esperado.
A linha que produzia as duas caminhonetes em dois turnos passou a operar com apenas um em setembro. Além disso, informações divulgadas na Argentina apontam uma redução expressiva no planejamento para 2026.
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A previsão inicial era fabricar cerca de 27 mil unidades das duas picapes ao longo do ano. Agora, a estimativa está em aproximadamente 16,5 mil.
Na prática, são 10,5 mil caminhonetes a menos, uma redução próxima de 39%.
O desempenho no Brasil ajuda a explicar o movimento. Embora o mercado de veículos esteja crescendo em 2026, Titano e Dakota ainda aparecem bem longe das líderes entre as picapes médias.
Titano e Dakota vendem 6,7 mil unidades

Dados de emplacamentos mostram que as duas caminhonetes somaram 6.679 unidades entre janeiro e agosto.
A Fiat Titano registrou 3.479 veículos no período. Já a Ram Dakota alcançou 3.200 unidades.
A diferença fica evidente quando o Agro em Campo compara os números com os das três primeiras colocadas entre as picapes médias.
A Toyota Hilux vendeu 30.205 unidades nos primeiros oito meses do ano. Em seguida aparece a Ford Ranger, com 23.501, enquanto a Chevrolet S10 soma 20.329.
Assim, a Hilux vendeu sozinha mais de quatro vezes o volume combinado de Titano e Dakota.
| Picape | Vendas até agosto de 2026 |
|---|---|
| Toyota Hilux | 30.205 |
| Ford Ranger | 23.501 |
| Chevrolet S10 | 20.329 |
| Mitsubishi Triton | 8.467 |
| GWM Poer | 4.542 |
| Fiat Titano | 3.479 |
| Ram Dakota | 3.200 |
Titano caiu quase 46% em agosto

O resultado mensal também acende um sinal de alerta para a Fiat.
A Titano terminou agosto com 258 unidades emplacadas, contra 476 em julho. Portanto, as vendas caíram aproximadamente 45,8% em apenas um mês.
Além disso, o modelo acumula queda de 17% em 2026 na comparação com o mesmo período do ano passado.
A situação da Dakota é diferente. Como chegou recentemente ao mercado, a picape ainda busca construir espaço entre concorrentes consolidadas.
Em agosto, ela registrou seu melhor resultado mensal até agora, com 634 unidades, alta de 20,3% sobre julho. Mesmo assim, o acumulado de 3.200 veículos ainda mantém a Ram distante do primeiro pelotão.
Fábrica passa a trabalhar com um turno

A mudança também chegou ao chão de fábrica.
Desde setembro, a linha de Titano e Dakota em Córdoba passou de dois para um turno de produção. A operação faz parte do projeto da Stellantis para transformar a unidade argentina em um polo regional de picapes.
A empresa confirmou a adequação do ritmo industrial e relacionou a decisão à evolução da demanda nos mercados interno e internacional.
No entanto, a Stellantis mantém os investimentos previstos para Córdoba. Entre os projetos está a produção local, a partir de 2027, do motor turbodiesel Multijet 2.2 utilizado pelas duas caminhonetes.
Titano ganhou motor de 200 cv
A Fiat já havia feito mudanças importantes na Titano para tentar aumentar sua competitividade.
A linha 2026 recebeu o motor 2.2 turbodiesel Multijet de 200 cv e 450 Nm de torque, equivalente a aproximadamente 45,9 kgfm. Nas versões automáticas, o câmbio passou a ter oito marchas.
Além disso, a fabricante fez alterações na suspensão, no sistema de tração e nos equipamentos de segurança.
Ainda assim, os números mostram o tamanho do desafio.
Enquanto Titano e Dakota tentam ganhar espaço, Hilux, Ranger e S10 continuam concentrando boa parte das vendas entre as caminhonetes médias no Brasil.
E a concorrência aumentou.
A GWM Poer, por exemplo, já soma 4.542 unidades em 2026, número superior ao registrado individualmente por Titano e Dakota.
Por enquanto a reação esperada pela Stellantis ainda não apareceu nas concessionárias. A redução do ritmo da fábrica argentina, portanto, transforma as vendas dos próximos meses em um teste importante para as duas picapes.