Resumo da notícia
- A temporada de leilões de gado de corte da primavera registra maior liquidez e preços até 20% acima de 2025, impulsionada pela escassez de bovinos e valorização do boi gordo.
- A 49ª Expointer reforçou a alta, com vendas de R$ 21,9 milhões e valorização de fêmeas e touros entre 10% e 12%, destacando a demanda por animais de genética superior.
- O mercado externo, com nova cota de importação dos EUA, estimula investimentos em genética e impulsiona a oferta de carne premium, fortalecendo a produção e exportação brasileira.
A temporada de leilões de gado de corte da primavera começou com maior liquidez e preços acima dos registrados em 2025. Segundo Fábio Crespo, presidente do Sindicato dos Leiloeiros Rurais e Empresas de Leilão do Rio Grande do Sul (Sindiler), as médias podem terminar até 20% maiores que as do ano passado.
O movimento ocorre em meio à escassez de bovinos para abate. Além disso, a valorização do boi gordo aumenta a procura por animais de genética melhorada.
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A 49ª Expointer, realizada de 29 de agosto a 6 de setembro, em Esteio (RS), também reforçou essa tendência. A feira teve 7.926 animais inscritos em competições e exposições. No período, as vendas totais chegaram a R$ 21,9 milhões, alta de 20% sobre 2025.
Segundo Crespo, as fêmeas tiveram forte valorização. Da mesma forma, os touros registraram aumento de 10% a 12% em relação ao ano passado.
Liquidez marca a temporada
Para Crespo, porém, mais importante que os valores dos animais de destaque é a velocidade dos negócios. “O mais importante é a liquidez. Os leilões estão ágeis, estão fluindo mais. O que está sendo colocado no mercado está encontrando comprador”, afirma.
Além disso, ele aponta maior procura por gado em Santa Catarina, Paraná e São Paulo. Ao mesmo tempo, cresceu o interesse de produtores que querem voltar à pecuária.
O professor Júlio Barcellos, do Núcleo de Estudos em Sistemas de Produção de Bovinos de Corte e Cadeia Produtiva (NESPro), da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), também prevê alta liquidez até o fim da temporada.
Barcellos projeta preços 10% a 15% acima dos registrados na primavera passada. “Venderá toda a oferta, e a qualidade marcará preço. O mercado está premiando uma carne de qualidade”, diz.
Nesse cenário, os touros devem se destacar na valorização. Segundo Barcellos, a oferta de animais não deve se recuperar no curto prazo.
“Pelos próximos cinco anos, teremos um mercado muito favorável para a carne no mundo. E, como o Brasil é um grande protagonista e o Rio Grande do Sul também começa a tomar parte disso, teremos uma procura por reprodutores para investir na cria muito mais intensa que nos anos anteriores”, afirma.
Mercado externo influencia negócios
Além do mercado interno, Barcellos relaciona o momento positivo ao cenário internacional. Ele cita a nova cota de importação aberta pelos Estados Unidos, com autorização para compra de até 300 mil toneladas de carne bovina sem tarifas extras por 90 dias.
Diante desse cenário, o professor avalia que a demanda internacional continua favorecendo investimentos em genética. “A demanda continua alta por conta de terceiros países. E isto é um sinal muito importante para o pecuarista, estimula investimentos (em genética)”, destaca.
Ao mesmo tempo, a indústria frigorífica começa a ampliar a oferta de produtos “premium” e a utilizar operações de barter. Nesse modelo, o pecuarista troca insumos para a engorda por animais destinados ao abate futuro.
Assim, com menor oferta de bovinos e maior procura por genética, a expectativa é de que os leilões de gado de corte continuem aquecidos até o fim da temporada de primavera.