Método usa 25 anos de dados de chuva para criar cenários raros e apoiar o planejamento contra riscos climáticos
evento climatico
Foto de Greg Johnson na Unsplash

Pesquisadores do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos Estados Unidos, desenvolveram um método de inteligência artificial capaz de simular eventos climáticos extremos que ainda não aparecem nos registros históricos. A equipe treinou o sistema com 25 anos de dados de precipitação para criar cenários que podem apoiar o planejamento de infraestruturas mais resistentes.

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Publicado na revista Nature Communications, o estudo apresenta o método chamado Aprendizado Sensível a Eventos Extremos. A tecnologia combina aprendizado de máquina com estatísticas sobre fenômenos extremos para gerar situações que ultrapassam os níveis já observados nos dados históricos.

Como a tecnologia funciona

Os pesquisadores utilizaram registros horários de chuva coletados nos Estados Unidos durante 25 anos. Depois, organizaram os dados em mapas diários que mostram a distribuição da precipitação pelo território.

Além disso, a equipe utilizou seis meses de mapas de baixa e alta resolução para ensinar o modelo a produzir representações mais detalhadas. Assim, o sistema aprende padrões dos dados e gera novas possibilidades de distribuição da chuva.

Segundo o engenheiro Kai Chang, coautor do estudo, o método não cria conhecimento do nada. Em vez disso, combina os padrões aprendidos com estatísticas sobre eventos extremos para produzir cenários plausíveis.

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IA não prevê exatamente o próximo evento

Apesar do potencial, os pesquisadores ressaltam que o sistema não prevê exatamente quando ou onde ocorrerá uma chuva extrema. A tecnologia cria cenários que ainda não aparecem no histórico e permite analisar situações mais severas do que as já registradas.

Essa característica pode ajudar cidades e empresas a testar estruturas diante de condições raras. Sistemas de drenagem, redes elétricas, barreiras contra inundações, rotas de evacuação e planos de emergência estão entre as possíveis aplicações apontadas pelos pesquisadores.

O modelo também pode gerar cenários associados a diferentes frequências, como eventos estatisticamente possíveis uma vez a cada 100 anos.

Aplicações podem chegar ao agro

Para o agronegócio, a metodologia pode ter aplicações futuras no planejamento de riscos envolvendo infraestrutura rural, energia e logística. No entanto, essa possibilidade ainda não representa uma ferramenta agrícola validada pelo estudo.

Além disso, o método não substitui modelos climáticos baseados em princípios físicos nem a previsão operacional. Segundo os pesquisadores, a tecnologia deve complementar essas ferramentas.

Assim, o principal avanço está na possibilidade de ampliar a análise de eventos climáticos extremos. Ao combinar inteligência artificial e conhecimento estatístico, o método permite testar cenários que os registros históricos, sozinhos, podem não representar adequadamente.