Resumo da notícia
- O Protocolo Carne Baixo Carbono visa reduzir emissões na pecuária e aumentar o carbono no solo, com 67 critérios para manejo, monitoramento e auditoria independente, coordenado pela Embrapa e CNA.
- O sistema avalia emissões considerando fermentação entérica, dejetos, produção e carbono no solo, promovendo rastreabilidade e controle da cadeia produtiva para garantir a sustentabilidade.
- Estudo no Cerrado mostrou aumento na lotação e redução nas emissões por quilo de carne, mas resultados podem variar conforme condições locais e exigem investimentos para adequação e certificação.
O Protocolo Carne Baixo Carbono (CBC) estabelece critérios para reduzir a intensidade de emissões da pecuária e aumentar o armazenamento de carbono no solo. O sistema é voluntário e exige mudanças no manejo, registros e auditoria independente.
A Embrapa coordena as diretrizes técnicas, enquanto a CNA administra a plataforma Agritrace Animal. Certificadoras independentes verificam o cumprimento das exigências nas propriedades.
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Quais são as principais exigências
O protocolo reúne 67 critérios para as propriedades, além de requisitos específicos para a indústria. O produtor precisa comprovar regularidade ambiental e trabalhista e apresentar informações sobre solo, pastagens, animais e manejo.
No solo, o sistema prioriza a cobertura vegetal, a redução da degradação e o monitoramento dos estoques de carbono. As avaliações consideram as camadas de 0 a 20 cm e de 20 a 40 cm.
Nas pastagens, o produtor deve ajustar a lotação à oferta de forragem, manter cobertura adequada do solo e controlar plantas invasoras. Ferramentas de monitoramento podem apoiar essas decisões.
Já os animais precisam atender critérios de idade, alimentação e permanência no pasto. O protocolo prevê entrada preferencial até 10 meses e abate preferencial até 30 meses, com limite de 36 meses para lotes 100% certificados.
Além disso, pelo menos dois terços do ganho de peso devem ocorrer a pasto. O confinamento ou semiconfinamento pode durar até 120 dias.
Como o protocolo mede as emissões
O CBC utiliza uma avaliação de ciclo de vida do sistema produtivo. O cálculo considera fermentação entérica, dejetos, produção de alimentos, energia, transporte e carbono armazenado no solo.
Assim, o protocolo avalia a intensidade de emissões por unidade de produto. A rastreabilidade complementa esse controle ao registrar informações sobre propriedades, auditorias e movimentação dos animais.
Estudo registrou ganhos no Cerrado
Um estudo realizado na Fazenda Trijunção, no Cerrado baiano, comparou indicadores de um sistema convencional com uma área conduzida segundo critérios do CBC.
No primeiro ano, a taxa de lotação passou de 0,89 para 2,33 unidades animais por hectare. A intensidade de emissões também caiu de 7,29 para 5,64 kg de CO₂ equivalente por quilo de carcaça.
O estudo ainda registrou maior estoque de carbono no solo na área manejada pelo protocolo.
Os resultados, porém, refletem as condições daquela propriedade. Portanto, não garantem o mesmo desempenho em outras fazendas, já que clima, solo, manejo, produtividade e custos podem variar.
Certificação exige organização e investimento
A adesão exige registros, monitoramento e auditorias independentes. Por isso, o produtor precisa considerar os custos de adequação e certificação antes de entrar no sistema.
Por outro lado, melhorias no manejo podem aumentar a produtividade, reduzir perdas e antecipar o abate. Além disso, uma eventual valorização da carne certificada pode contribuir para melhorar o retorno econômico.
A expansão do protocolo deve ocorrer por meio da Agritrace. Já a criação de condições diferenciadas de crédito ou incentivos financeiros depende de medidas que ainda precisam ser confirmadas.
Na prática, a decisão de adesão envolve três fatores principais: custo de adequação, ganho de eficiência e possível valorização da carne certificada.