Resumo da notícia
- Tecnologia Direct-to-Device permite que smartphones se conectem diretamente a satélites, ampliando a comunicação em áreas rurais onde o 4G e o Wi-Fi não alcançam.
- Anatel prorrogou até 2029 os testes da Vivo com a tecnologia D2D, autorizando uso de frequências móveis para experimentos em todo o Brasil, sem causar interferências.
- Satélites ajudam a suprir a falta de infraestrutura em regiões rurais, atuando como extensão da cobertura terrestre, mas não substituem redes 4G/5G nem a antena fixa da fazenda.
Ter internet na sede não significa ter sinal em toda a fazenda. Em propriedades extensas, trabalhadores, máquinas e veículos podem percorrer quilômetros longe do Wi-Fi e entrar em áreas onde o celular simplesmente deixa de funcionar.
Uma tecnologia testada pela Vivo com a Starlink pode começar a reduzir esse vazio de cobertura. A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) prorrogou até 22 de abril de 2029 a autorização para a Telefônica Brasil, dona da Vivo, realizar experimentos de conexão direta entre celulares e satélites.
- Viasat reforça operação e vira rival da Starlink pela internet no campo
- Internet chega ao campo e Starlink ganha novos rivais no Brasil
Conhecida como Direct-to-Device (D2D), a tecnologia permite que celulares compatíveis se comuniquem diretamente com satélites, dispensando a tradicional antena externa da Starlink para esse tipo de conexão.
No campo, a diferença está principalmente na mobilidade. A antena convencional pode conectar a casa, o escritório ou um galpão. Já a comunicação direta pelo celular abre caminho para levar sinal a lavouras, pastagens e estradas rurais distantes desses pontos.
Vivo amplia período de testes
A autorização original terminaria em outubro deste ano. Com a decisão da Anatel, os experimentos poderão continuar por quase três anos, dentro do ambiente regulatório criado para testar novas aplicações de comunicação entre satélites e dispositivos móveis.
Os testes estão autorizados em todo o território nacional. A Vivo poderá utilizar as frequências de 2.567,5 MHz e 2.687,5 MHz, com largura de faixa de 5 MHz. São frequências utilizadas pela própria operadora em sua rede móvel.
A operação ocorre em caráter secundário. Isso significa que os testes não podem provocar interferências prejudiciais em sistemas que possuem prioridade de utilização dessas frequências.
Satélite pode preencher áreas sem cobertura

A entrada dos satélites nesse mercado ataca um dos problemas históricos da conectividade rural: o custo de levar infraestrutura terrestre a regiões com baixa densidade populacional.
Torres de telefonia exigem investimento, energia, conexão com a rede e manutenção. Em determinadas áreas rurais, a quantidade de usuários pode dificultar economicamente essa expansão.
Nesse cenário, o D2D surge como uma alternativa. Assim, quando o celular deixa a área atendida pela rede terrestre, o satélite pode funcionar como uma extensão da cobertura da operadora.
Isso não significa substituir o 4G ou o 5G. A capacidade das redes terrestres continua superior onde existe infraestrutura disponível. O satélite entra principalmente nos espaços onde as torres não chegam.
Tecnologia não substitui a antena da fazenda

A Starlink convencional e a conexão direta pelo celular atendem necessidades diferentes.
Uma propriedade que precisa manter computadores, câmeras, televisores, sistemas administrativos e uma rede Wi-Fi continuará dependendo de uma conexão de maior capacidade.
O D2D acrescenta outra camada: o sinal acompanha o usuário fora da sede.
Essa característica pode ganhar importância conforme a digitalização avança nas propriedades. Comunicação entre equipes, operações em áreas isoladas e deslocamentos por estradas rurais estão entre as aplicações mais imediatas.
A tecnologia, porém, ainda está em fase de testes no Brasil. Vivo e Starlink não anunciaram preço, planos ou uma lista definitiva de aparelhos compatíveis para uma eventual oferta comercial.
A ampliação da autorização até 2029 mostra, contudo, que a conexão por satélite está avançando para uma nova etapa. Depois de levar internet à sede de propriedades rurais, a próxima fronteira será fazer o sinal acompanhar quem trabalha longe dela.