Resumo da notícia
- Dois potros machos da espécie cavalo-de-Przewalski nasceram nas estepes do Cazaquistão, marcando o retorno da espécie à região após cerca de 200 anos de desaparecimento.
- Os nascimentos ocorreram no Centro de Reintrodução Alibi, com animais que vieram da Europa, e indicam que os cavalos já estão se adaptando e reproduzindo no habitat natural.
- O projeto de reintrodução, iniciado em 2024, inclui soltura gradual e monitoramento por GPS, representando um avanço significativo na preservação do último cavalo verdadeiramente selvagem.
Dois cavalos selvagens nasceram nas estepes do Cazaquistão cerca de 200 anos depois do desaparecimento da espécie naquela região. Os potros pertencem à espécie conhecida como cavalo-de-Przewalski (Equus przewalskii), considerada o último cavalo verdadeiramente selvagem existente.
Os dois animais são machos e nasceram no Centro de Reintrodução Alibi, dentro da Reserva Natural Estatal de Altyn Dala, na região central do país. O primeiro veio ao mundo em 22 de agosto. Já o segundo nasceu oito dias depois, em 30 de agosto.
- Cavalo brasileiro vira gigante e supera 800 mil registros
- Cavalo Crioulo ganha o Brasil e eventos disparam 1.175%
Com os dois nascimentos, o projeto alcançou uma etapa importante na tentativa de restabelecer uma população desses animais em seu território histórico. Afinal, desta vez os cavalos não chegaram de outro país. Eles nasceram novamente na região onde a espécie viveu no passado.
Potro ficou de pé pouco depois do nascimento

O primeiro filhote é filho da égua Tessa, que deixou o Tierpark Berlin rumo ao Cazaquistão em 2024, e do garanhão Zorro, integrante do programa de reprodução do Zoológico de Praga.
Pouco depois do nascimento, o potro conseguiu ficar em pé sozinho, acompanhar a mãe e mamar normalmente. Além disso, as equipes que acompanham os animais relataram boas condições tanto da égua quanto do filhote.
O segundo nascimento, em 30 de agosto, trouxe mais um resultado positivo para o programa. As mães dos dois potros chegaram ao Cazaquistão dois anos antes, depois de deixarem a Alemanha.
Assim, os pesquisadores passaram a observar um resultado que vai além da adaptação dos animais ao novo ambiente. Agora, os cavalos também conseguiram se reproduzir nas estepes cazaques.
Espécie começou a voltar ao país em 2024
O retorno dos cavalos-de-Przewalski ao Cazaquistão começou em junho de 2024. Naquele ano, uma operação internacional levou animais criados na Europa para o país.
No entanto, eles não seguiram imediatamente para a estepe aberta. Primeiro, o grupo passou aproximadamente um ano em grandes áreas de aclimatação. Durante esse período, os cavalos tiveram contato com o clima, a vegetação e as condições encontradas em Altyn Dala.
Em junho de 2025, então, o projeto avançou mais uma etapa. As equipes soltaram na natureza seis cavalos, um garanhão e cinco éguas. Além disso, algumas fêmeas receberam colares com GPS. Dessa forma, os pesquisadores conseguem acompanhar seus deslocamentos pela região.
Já em 2026, o programa recebeu um novo reforço. Outros oito cavalos, quatro machos e quatro fêmeas, viajaram da Europa para o Cazaquistão.
A própria logística mostra a dimensão da operação. Só a viagem dos primeiros animais exigiu cerca de 15 horas de voo e, depois, outras 11 horas de transporte terrestre até a área de reintrodução.
Nascimentos abrem nova fase nas estepes
A história do cavalo-de-Przewalski ajuda a dimensionar a importância dos dois nascimentos. A espécie chegou a desaparecer completamente da natureza no século passado. Naquele momento, os exemplares mantidos sob cuidados humanos se tornaram fundamentais para sua sobrevivência.
A partir desses animais, programas internacionais de reprodução conseguiram preservar a espécie. Mais tarde, projetos de conservação começaram a devolver os cavalos a regiões da Ásia onde seus ancestrais viveram.
No Cazaquistão, porém, eles estavam ausentes havia aproximadamente dois séculos. Por isso, o nascimento dos potros representa uma etapa diferente da simples chegada de animais transportados da Europa.
Desta vez, os cavalos percorreram milhares de quilômetros, passaram por um período de adaptação e, posteriormente, conseguiram gerar uma nova geração dentro de uma região de sua distribuição histórica.
Além disso, o retorno pode provocar mudanças na própria paisagem. Como grandes herbívoros, esses cavalos consomem vegetação e participam da circulação de nutrientes. Com isso, voltam a desempenhar uma função que havia desaparecido daquele ecossistema.
Agora, os pesquisadores acompanham o desenvolvimento dos dois potros e dos demais integrantes dos grupos que vivem na região.
Depois de mais de 200 anos, portanto, uma nova geração de cavalos selvagens começa a ocupar novamente as estepes do Cazaquistão.