Área da oleaginosa cresce no país enquanto regulamentação do combustível sustentável de aviação cria uma nova oportunidade para seu óleo
Lavoura de canola em floração com avião comercial sobrevoando a área rural
Foto: Agro em Campo/Arte

A canola está ganhando espaço nas lavouras brasileiras e pode encontrar um novo destino para sua produção nos próximos anos. Além dos mercados de alimentos e biodiesel, o óleo da oleaginosa surge como potencial matéria-prima para o combustível sustentável de aviação, conhecido pela sigla SAF.

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A expansão já levou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) a incluir a canola no Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA) em 2026. Em junho, o instituto estimou uma produção de 513,7 mil toneladas. Naquele levantamento, o Rio Grande do Sul aparecia como o único estado com produção comercial contabilizada pela pesquisa.

Dados apresentados pela Associação Brasileira dos Produtores de Canola (Abrascanola) também apontam crescimento da cultura. Segundo a entidade, a área cultivada passou de 186,2 mil hectares em 2024 para 225 mil hectares em 2025. Para 2026, a associação indica 405 mil hectares plantados e potencial produtivo de 607,2 mil toneladas.

A expectativa da cadeia é alcançar 1 milhão de hectares até 2030, com expansão para além das áreas tradicionais de produção.

“O crescimento era parcialmente limitado pelo mercado, uma vez que os produtores enfrentavam dificuldades para comercializar sua produção. Hoje, com os novos entrantes e a crescente demanda, o produtor encontra um cenário favorável para entrar, em definitivo, no mercado de canola”, afirma Kennedy Dadalto, engenheiro agrônomo e diretor comercial da Advanta Seeds.

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Canola ocupa espaço na safra de inverno

A cultura também ganha terreno como alternativa para a rotação das lavouras no inverno. O interesse cresce principalmente no Sul, onde produtores buscam opções para diversificar o sistema produtivo.

canola
Foto: Fernando Dias/ Seapi

Segundo Dadalto, o investimento médio fica entre 10 e 15 sacas por hectare, dependendo do nível tecnológico utilizado.

“Considerando uma produtividade média superior aos 25 sc/ha e a boa relação de preço do grão, a rentabilidade é muito positiva quando comparada às demais opções de cultivo de inverno”, afirma.

A rentabilidade, entretanto, depende de fatores como produtividade, preço recebido pelo produtor, custo dos insumos e condições de comercialização.

SAF cria outra possibilidade para o óleo de canola

Uma das principais novidades para a cadeia está fora do mercado tradicional de alimentos.

O óleo de canola pode servir como matéria-prima para a rota HEFA, tecnologia que transforma óleos e gorduras em combustível sustentável de aviação. A possibilidade ganha relevância com o avanço da regulamentação brasileira para o SAF.

O governo federal regulamentou em agosto de 2026 o Programa Nacional de Combustível Sustentável de Aviação (ProBioQAV), criado pela Lei do Combustível do Futuro.

O programa determina que os operadores aéreos reduzam gradualmente as emissões de gases de efeito estufa nas operações domésticas. A meta começa em 1% em 2027 e aumenta progressivamente até chegar a 10% em 2037.

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A regulamentação não estabelece uma matéria-prima específica para a fabricação do SAF. O modelo brasileiro segue o princípio da neutralidade tecnológica, o que abre espaço para diferentes matérias-primas e rotas produtivas que atendam aos requisitos ambientais e técnicos.

Nesse cenário, a canola surge como uma possibilidade, mas seu uso para SAF ainda não representa um mercado comercial consolidado no Brasil.

“Embora ainda se trate de uma oportunidade em desenvolvimento, a canola brasileira pode ganhar espaço conforme o mercado de combustível sustentável de aviação avance”, afirma Dadalto.