Pesquisa do Salk Institute testa plantas geneticamente modificadas que direcionam as raízes para camadas mais profundas do solo e podem aumentar a tolerância à seca
Mato Grosso é o estado com a maior produção e soja do Brasil
Foto: Embrapa - Gabriel Faria Rezende

Debaixo da terra pode estar uma nova estratégia para tornar a soja mais resistente aos extremos climáticos. Cientistas do Salk Institute, nos Estados Unidos, estão testando plantas geneticamente modificadas para desenvolver raízes mais profundas, capazes de buscar água em outras camadas do solo e armazenar mais carbono.

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Os testes já chegaram ao campo. Em áreas experimentais no estado de Illinois, pesquisadores analisam o comportamento das raízes, a produtividade e a resposta das plantas à falta de água. Diferentemente da soja convencional, cujas raízes tendem a se espalhar mais lateralmente, algumas plantas modificadas apresentam crescimento direcionado para baixo.

Raiz mais profunda pode ajudar durante a seca

A lógica é relativamente simples. Quando a superfície do solo perde umidade, raízes capazes de alcançar maiores profundidades podem encontrar água que permanece disponível nas camadas inferiores.

Por isso, os cientistas investigam se essa característica pode ajudar a soja a suportar períodos de seca sem comprometer tanto o desenvolvimento da planta.

O projeto faz parte da Harnessing Plants Initiative, programa do Salk Institute que pesquisa como características genéticas das plantas podem melhorar a resistência ao estresse climático e aumentar o armazenamento de carbono no solo.

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Até agora, os pesquisadores já sequenciaram 900 genomas de plantas de sete culturas e identificaram 347 genes candidatos relacionados ao crescimento das raízes e ao armazenamento de carbono. O trabalho também originou 38 linhagens experimentais em cinco culturas, entre elas soja, arroz e canola.

Soja também pode guardar mais carbono

A pesquisa não olha apenas para a resistência à seca.

Os cientistas querem que as raízes maiores e mais profundas concentrem também mais suberina, substância rica em carbono e resistente à decomposição. Assim, parte do carbono capturado pela planta durante a fotossíntese poderia permanecer armazenada no solo por mais tempo.

Esse ponto, no entanto, ainda está sendo avaliado em condições de campo. Os pesquisadores precisam medir quanto carbono realmente permanece no solo e, principalmente, verificar se as alterações nas raízes mantêm ou melhoram a produtividade.

Tecnologia ainda está em fase de testes

Apesar do potencial, a soja de raízes profundas ainda não representa uma nova variedade comercial disponível ao agricultor.

Os experimentos precisam demonstrar que a característica funciona em diferentes solos e condições climáticas. Além disso, uma futura adoção dependerá do desempenho agronômico e do interesse das empresas de sementes.

Para o produtor, esse será um ponto decisivo. Uma planta capaz de armazenar mais carbono pode trazer benefícios ambientais, mas precisa também entregar resultados econômicos no campo.

Por enquanto, os cientistas estão tentando responder justamente a essa questão: até onde uma raiz mais profunda pode ajudar a soja a continuar produzindo quando a água fica escassa?

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