Fuga ocorrida em 1957, durante um experimento em São Paulo, levou ao cruzamento de abelhas africanas com populações europeias já presentes no Brasil
abelhas
Abelha. Itacarambi MG. Foto Tony Oliveira/Flickr

Em 1957, 26 enxames de abelhas africanas escaparam de um experimento em Rio Claro (SP) e passaram a ocupar o ambiente fora da área de pesquisa. A partir dali, essas abelhas cruzaram com populações europeias que já existiam no Brasil e deram origem às chamadas abelhas africanizadas.

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A história começou um ano antes. Em 1956, o geneticista Warwick Estevam Kerr introduziu abelhas africanas no país para estudar características que poderiam melhorar a adaptação da apicultura ao clima tropical.

Na época, os pesquisadores buscavam combinar características das linhagens africanas e europeias. Entre os objetivos estavam melhorar a adaptação ao ambiente e aumentar a produção de mel.

Por que o Brasil trouxe abelhas africanas?

Na década de 1950, a apicultura brasileira utilizava principalmente abelhas de origem europeia. No entanto, essas populações apresentavam limitações de adaptação em algumas condições de clima tropical.

Por isso, Kerr estudou a introdução de linhagens africanas. O pesquisador pretendia realizar cruzamentos controlados e selecionar características que pudessem favorecer a produção de mel no país.

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As abelhas foram mantidas em uma área experimental na região de Rio Claro. Para controlar a reprodução, os pesquisadores instalaram telas excluidoras nas colmeias. As estruturas permitiam a passagem das operárias, mas impediam a saída das rainhas.

Como os 26 enxames escaparam?

O episódio ocorreu em 1957. As telas foram retiradas sem autorização e, quando os pesquisadores perceberam o que havia acontecido, 26 enxames haviam deixado a área experimental.

A partir daquele momento, as abelhas passaram a se reproduzir fora do ambiente controlado. Além disso, encontraram populações de Apis mellifera de origem europeia que já estavam estabelecidas no Brasil.

Esse contato permitiu o cruzamento entre as linhagens africanas e europeias. Como resultado, formaram-se as populações conhecidas como abelhas africanizadas.

Abelhas africanizadas se espalharam pelas Américas

As novas populações reuniram características herdadas das linhagens africanas e europeias. Entre elas estavam diferenças no comportamento das colônias e boa adaptação às condições tropicais.

A expansão ocorreu rapidamente. Depois de se estabelecerem no Brasil, as abelhas africanizadas avançaram por outros países da América do Sul e chegaram posteriormente à América Central e à América do Norte.

Estudos científicos descrevem essas populações como híbridas, formadas principalmente a partir da combinação de Apis mellifera scutellata, de origem africana, com linhagens europeias.

Entre 1957 e 1964, os cruzamentos com populações de origem alemã, italiana e portuguesa contribuíram para formar uma população diferente daquela que existia anteriormente no país.

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A apicultura mudou o manejo das colônias

A expansão das abelhas africanizadas também obrigou os apicultores a adaptar o manejo. Técnicas utilizadas anteriormente com abelhas europeias precisaram ser ajustadas às características comportamentais das novas populações.

Com o passar dos anos, pesquisadores e produtores desenvolveram estratégias específicas para trabalhar com essas colônias. Entre as mudanças estavam o uso de equipamentos de proteção, a escolha do local dos apiários e novas formas de manejo das rainhas.

Ao mesmo tempo, características que Kerr pretendia estudar passaram a fazer parte da apicultura brasileira. A adaptação ao clima tropical ajudou essas populações a se estabelecerem em diferentes regiões do país.

A fuga dos 26 enxames, portanto, ultrapassou os limites do experimento realizado em Rio Claro. A partir daquele episódio, as abelhas africanizadas se estabeleceram no Brasil e posteriormente avançaram por outras regiões das Américas.

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