Resumo da notícia
- O Dia do Sake, celebrado em 1º de outubro, marca o início do ciclo tradicional de produção da bebida no Japão e destaca sua importância cultural e histórica na cultura japonesa.
- A produção do sake envolve a transformação do amido do arroz em açúcares fermentáveis, com o papel essencial do koji, fungo que catalisa essa conversão, garantindo as características únicas da bebida.
- No Brasil, o Ministério da Agricultura regula a produção do saquê, definindo padrões oficiais que asseguram a identidade e qualidade da bebida fermentada a partir do arroz e do fungo Aspergillus oryzae.
O Dia do Sake é celebrado em 1º de outubro e marca uma das bebidas tradicionais da cultura japonesa. A data, conhecida no Japão como Nihonshu no Hi, está relacionada ao início do ciclo de produção do sake e ao calendário tradicional das cervejarias japonesas.
Além da importância cultural, a bebida chama atenção pela relação entre arroz, água e técnicas de fermentação desenvolvidas ao longo de gerações. No Brasil, o Ministério da Agricultura e Pecuária estabelece padrões oficiais para a produção e a identidade do saquê.
- UFLA pesquisa arroz resistente à seca para cultivo sem irrigação
- Demanda externa aumenta disputa por arroz no Rio Grande do Sul
Como o sake é produzido
O arroz é a principal matéria-prima do sake. Durante a fabricação, os produtores transformam o amido do cereal em açúcares que podem ser aproveitados pelas leveduras durante a fermentação.
Nesse processo, o koji exerce uma função importante. O termo se refere ao arroz cultivado com o fungo Aspergillus oryzae, que produz enzimas capazes de transformar o amido em açúcares.

Em seguida, as leveduras utilizam esses açúcares durante a fermentação alcoólica. Dessa forma, a combinação entre arroz, koji, água e microrganismos influencia as características da bebida.
No Brasil, a legislação define o saquê ou sake como uma bebida obtida pela fermentação alcoólica do mosto de arroz, sacarificado pelo Aspergillus oryzae ou por suas enzimas. A regulamentação também estabelece padrões específicos para a bebida.
Por que 1º de outubro virou o Dia do Sake?
A escolha da data está ligada à tradição da produção japonesa. Segundo a Japan Sake and Shochu Makers Association, outubro marca historicamente o início de um novo ciclo de fabricação do sake, depois da colheita do arroz.
Além disso, as cervejarias japonesas adotavam tradicionalmente 1º de outubro como início do ano de produção. Embora esse calendário tenha mudado posteriormente, a associação com a bebida permaneceu.
Em 1978, a Japan Sake and Shochu Makers Association estabeleceu oficialmente 1º de outubro como o Sake Day. Desde então, a data passou a reunir ações de valorização da bebida e da tradição ligada à sua produção.
O que o sake tem a ver com o arroz?
A relação começa na própria matéria-prima. O sake depende de um processo específico para transformar o amido do arroz em açúcares fermentáveis.
Por isso, a produção combina matéria-prima agrícola, conhecimento técnico e técnicas de fermentação desenvolvidas ao longo do tempo.
A escolha do arroz também influencia a fabricação, já que diferentes variedades apresentam características próprias de tamanho, composição e comportamento durante o processamento. Assim, o cereal ocupa uma posição central tanto na produção da bebida quanto na tradição que envolve o sake no Japão.
Arroz japonês produzido no Brasil
O Brasil também cultiva arroz japonês, principalmente variedades de grão curto e médio adaptadas às condições brasileiras. Entre elas, o Instituto Agronômico (IAC) desenvolveu a IAC 400, do tipo Koshihikari, para o cultivo em São Paulo.
Esse arroz atende principalmente ao mercado da culinária japonesa e também pode entrar na cadeia de produção de saquê. No entanto, é importante fazer uma distinção: nem todo arroz japonês é um sakamai, nome dado às variedades desenvolvidas especificamente para a fabricação da bebida.
No país, ainda não existe uma estatística nacional que mostre quanto arroz japonês chega exclusivamente à produção de saquê. Da mesma forma, os dados públicos não permitem dimensionar a produção brasileira de sakamai.
Saquê produzido no Brasil combina tradição e matéria-prima nacional
O Brasil também produz saquê. A bebida chegou ao país com a imigração japonesa e, ao longo das décadas, fabricantes nacionais desenvolveram uma produção própria para atender ao mercado brasileiro.
Além disso, algumas empresas utilizam arroz cultivado no Brasil como matéria-prima. Dessa forma, a cadeia conecta o produtor rural à indústria de bebidas e cria um mercado específico para o cereal.
Ainda assim, o país não divulga uma estatística oficial consolidada sobre o volume total de saquê produzido anualmente. Por isso, não é possível apresentar um número nacional preciso sem recorrer a estimativas empresariais.
Mesmo com essa lacuna, a produção brasileira de saquê mostra como uma tradição japonesa encontrou espaço na agricultura e na indústria do país. Ao mesmo tempo, o cultivo de variedades de arroz japonês abre possibilidades para mercados especializados.
Assim, arroz japonês e saquê formam uma cadeia ainda pouco dimensionada pelas estatísticas nacionais, mas que conecta agricultura, indústria e gastronomia. Para entender esse mercado, é necessário observar não apenas a quantidade de arroz cultivada, mas também quais variedades chegam à indústria e qual é a origem da matéria-prima utilizada pelos fabricantes.