Resumo da notícia
- O Mercosul pode responder por 40% do aumento global na demanda por alimentos na próxima década, impulsionado pelo crescimento do consumo mundial de proteínas e grãos até 2050.
- A América do Sul, com destaque para soja, milho, arroz e carnes, tem potencial para ampliar a oferta e atender parte expressiva do aumento na demanda internacional.
- Brasil e Argentina reforçam cooperação para melhorar o planejamento do agronegócio regional, trocando dados e fortalecendo a atuação conjunta no mercado global.
O Mercosul pode responder por 40% do aumento da demanda global por alimentos na próxima década, segundo projeção apresentada pelo secretário-executivo do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), Cleber Oliveira Soares. Ele divulgou a estimativa durante o lançamento da terceira edição do relatório Outlook, na Argentina.
Segundo o secretário, o consumo mundial exigirá mais de 350 milhões de toneladas de proteína animal e cerca de 1 bilhão de toneladas de grãos até 2050. Além disso, o mercado poderá demandar metade desse volume adicional já na próxima década.
Nesse cenário, a América do Sul ganha espaço nas projeções de oferta. O bloco reúne produtores relevantes de grãos e proteínas, como carne bovina, frango e carne suína. Por isso, o Mapa avalia que a região poderá atender uma parcela expressiva do crescimento do consumo internacional.
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A projeção, porém, trata do aumento previsto na demanda, e não de 40% de todo o consumo mundial de alimentos. Essa diferença ajuda a dimensionar corretamente o alcance da estimativa apresentada pelo governo brasileiro.
Produção sul-americana
Além da escala produtiva, o cenário envolve a capacidade de ampliar a oferta nos próximos anos. Nesse ponto, soja, milho, arroz e outros cereais aparecem entre as cadeias que podem sustentar o crescimento das exportações sul-americanas.
Ao mesmo tempo, a produção de carne bovina e outras proteínas animais também terá papel relevante. O aumento previsto no consumo mundial cria espaço para fornecedores capazes de elevar a produção e manter presença nos mercados internacionais.
Ainda assim, a participação projetada para o Mercosul dependerá da evolução da produtividade, da infraestrutura, das condições de comércio e da capacidade dos países do bloco de ampliar a oferta.
Brasil e Argentina
O lançamento do relatório na Argentina também reforçou a aproximação entre Brasil e Argentina. Para Cleber Oliveira Soares, os dois países precisam ampliar a cooperação e compartilhar informações para melhorar o planejamento do agronegócio regional.
“A cooperação e a análise conjunta de dados estatísticos entre Brasil e Argentina devem consolidar uma parceria essencial para o planejamento de longo prazo do agronegócio regional”, afirmou o secretário.
Além disso, a articulação envolve instituições como a Bolsa de Cereais de Buenos Aires. A troca de dados pode ajudar o setor a acompanhar melhor as perspectivas de produção agrícola, consumo e comércio nas próximas décadas.
Dessa forma, a estimativa apresentada pelo Mapa coloca o Mercosul diante de uma oportunidade ligada ao crescimento da procura internacional por alimentos. O desafio será transformar o potencial produtivo da região em maior oferta e participação efetiva nos mercados globais.