Resumo da notícia
- O agronegócio respondeu por 36,6% das exportações de São Paulo nos oito primeiros meses de 2026, totalizando US$ 17,79 bilhões, destacando a importância do setor na economia estadual.
- O setor gerou superávit de US$ 13,83 bilhões, ajudando a compensar o déficit comercial de US$ 12,80 bilhões do Estado no período, reduzindo o impacto negativo nas contas externas.
- O complexo sucroalcooleiro lidera as exportações do agronegócio paulista, com açúcar e etanol representando 24,2%, embora tenha sofrido queda de receita devido à redução dos preços em 2026.
De cada três dólares exportados por São Paulo, mais de um vem do agronegócio. Nos oito primeiros meses de 2026, o setor respondeu por 36,6% de todas as exportações paulistas, segundo levantamento do Instituto de Economia Agrícola (IEA), ligado à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado.
No período, o agro paulista vendeu US$ 17,79 bilhões ao exterior. Enquanto isso, as importações do setor alcançaram US$ 3,96 bilhões. Como resultado, a balança comercial do agronegócio registrou superávit de US$ 13,83 bilhões entre janeiro e agosto.
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O número ajuda a dimensionar o peso do campo na economia paulista. Afinal, São Paulo reúne a maior economia estadual do país e uma estrutura industrial e de serviços diversificada. Mesmo assim, mais de um terço das receitas obtidas pelo Estado com exportações teve origem em produtos classificados como do agronegócio.
Quanto de cada US$ 100 exportados vem do agro?
Levantamento do Agro em Campo: a partir dos números oficiais do IEA, de cada US$ 100 exportados por São Paulo, US$ 36,60 vieram do agronegócio entre janeiro e agosto.
O cálculo considera os US$ 48,63 bilhões exportados pelo Estado no período e os US$ 17,79 bilhões correspondentes ao agro. Dessa forma, a participação chega aos 36,6% informados pelo próprio instituto.
A proporção também permite outra leitura: aproximadamente US$ 1 de cada US$ 2,73 obtidos por São Paulo com vendas internacionais veio do setor.
Apesar do peso elevado, a participação perdeu espaço em relação ao ano anterior. No mesmo período de 2025, o agro representava uma fatia maior das exportações estaduais. Em 2026, houve recuo de 3,9 pontos percentuais nessa participação.
Agro ajuda a reduzir déficit comercial de São Paulo
O impacto fica ainda mais evidente quando se observa o saldo comercial do Estado.
Entre janeiro e agosto, São Paulo exportou US$ 48,63 bilhões, mas importou US$ 61,43 bilhões. Com isso, a balança comercial paulista acumulou déficit de US$ 12,80 bilhões.
O cenário muda quando o agronegócio é analisado separadamente. Enquanto o conjunto da economia paulista importou mais do que exportou, o agro produziu um superávit de US$ 13,83 bilhões.
Sem o agronegócio, portanto, o desequilíbrio seria significativamente maior. Os demais setores da economia paulista acumularam déficit de US$ 26,63 bilhões no período, segundo o IEA.
Açúcar e etanol lideram exportações

Entre os principais grupos da pauta do agronegócio paulista, o complexo sucroalcooleiro permanece na liderança. Açúcar e etanol responderam juntos por 24,2% das exportações do setor entre janeiro e agosto.
Apesar da liderança, o grupo perdeu receita em 2026. O valor exportado caiu 23,2% na comparação com o mesmo período do ano passado. No caso do açúcar, principal produto do grupo, houve redução de 21,3% no faturamento e de 2,9% no volume embarcado.
A queda ocorreu principalmente em um cenário de preços menores. Segundo o levantamento, os preços médios tiveram desvalorização de 19,5% no açúcar bruto e de 14,9% no refinado.
Ainda assim, a cadeia continua tendo peso decisivo na geração de dólares para o agronegócio paulista.
China permanece como mercado estratégico
O desempenho das exportações também mostra como o agro paulista está ligado aos grandes mercados internacionais.
No primeiro semestre de 2026, a China aparecia como principal destino das exportações do agronegócio estadual, com US$ 3,78 bilhões e participação de 28,3%. Na sequência estavam União Europeia e Estados Unidos.
Esse cenário reforça a importância da demanda externa para cadeias produzidas ou processadas em São Paulo, principalmente açúcar, carnes, soja, produtos florestais, suco de laranja e café.
Ao mesmo tempo, mudanças nos preços internacionais, no câmbio e na demanda dos principais compradores podem alterar rapidamente o faturamento dessas cadeias.
Participação permanece acima de um terço

A série de 2026 mostra que a participação do agronegócio vem diminuindo ao longo do ano, embora permaneça elevada.
No primeiro semestre, o setor representava 37,9% das exportações paulistas. Em julho, a participação estava em 37,2%. Já no acumulado até agosto, passou para 36,6%.
Mesmo com a redução, o dado mantém uma dimensão relevante: mais de um em cada três dólares exportados por São Paulo continua vindo do agronegócio.
E há outro número que ajuda a entender essa importância. Enquanto os demais setores acumulam déficit comercial bilionário, o agro segue produzindo saldo positivo e trazendo mais dólares ao Estado do que utiliza para importar.
Por isso, o peso do setor não aparece apenas no valor das exportações. Ele também está na capacidade de gerar superávit comercial para São Paulo e compensar parte do déficit produzido pelos demais segmentos da economia.