Resumo da notícia
- Exportações de feijão-mungo no Quênia cresceram 17 vezes no primeiro trimestre de 2026, alcançando 6.233 toneladas e gerando 835,52 milhões de xelins em divisas, beneficiando pequenos agricultores em áreas áridas.
- Hong Kong e Tailândia lideram as importações, com 22,33% e 20,37% do volume, respectivamente, enquanto o mercado se diversifica para reduzir riscos e fortalecer a resiliência do setor exportador.
- A produção concentra-se no leste do país, em regiões com menor uso de água e ciclo curto, promovendo renda e estabilidade para comunidades vulneráveis à seca, com necessidade de investimentos para manter o crescimento.
No Quênia, as exportações de feijão‑mungo‑verde (ndengu) multiplicaram por 17 no primeiro trimestre de 2026. Os embarques saltaram de 355,82 toneladas no mesmo período de 2025 para 6.233,20 toneladas até março. Além disso, geraram 835,52 milhões de xelins em divisas, segundo a AFA, divulgados pelo Ibafe.
O resultado consolidou o feijão‑mungo como a pulse de exportação que mais cresce no país. Ao mesmo tempo, ampliou a renda de pequenos agricultores das regiões áridas e semiáridas, onde a cultura tolera estiagens e tem ciclo curto.
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Mercados se diversificam
No primeiro trimestre de 2026, Hong Kong foi o maior destino, com 22,33% do volume. Em seguida, a Tailândia apareceu com 20,37%, segundo a AFA (Autoridade de Agricultura e Alimentação) do Quênia.
Além disso, outros compradores foram Sudão do Sul, República Democrática do Congo, Filipinas, Singapura, Paquistão e Indonésia. Por outro lado, remessas menores seguiram para Índia, Países Baixos, África do Sul, Catar e Reino Unido.
Dessa forma, a diversificação reduz a dependência de poucos compradores. Consequentemente, aumenta a resiliência do setor a oscilações de demanda.
Produção no leste e vantagem em áreas secas
Pesquisas da KALRO (Organização de Pesquisa Agrícola e Pecuária do Quênia), indicam que quase 90% da produção nacional de feijão‑mungo está na região leste. Assim, condados como Kitui, Makueni, Tharaka Nithi e Machakos seguem como principais polos.
A vantagem está na menor exigência de água e em insumos modestos. Além disso, o ciclo curto e a resistência à seca tornam a cultura uma alternativa em climas imprevisíveis.
Com o avanço das vendas externas, o movimento eleva a renda das famílias. Ao mesmo tempo, fortalece economias rurais e amplia a estabilidade de comunidades vulneráveis à seca.
Outras pulses também crescem
Embora o feijão‑mungo tenha liderado, outras leguminosas também tiveram desempenho relevante no primeiro trimestre de 2026.
O feijão‑guandu registrou 6.741,34 toneladas, gerando US$ 4,8 milhões. A Índia permaneceu como principal mercado, com mais de 71% do volume (4.825 t, US$ 3,5 milhões).
Os Emirados Árabes Unidos ficaram em segundo, com mais de 1.100 toneladas. Além disso, Bélgica e Cabo Verde também apareceram entre os destinos.
O feijão‑fradinho gerou 908 toneladas e US$ 700 mil. Segundo a AFA, a Índia respondeu por todo o volume.
Desafios para manter o ritmo
Para sustentar a expansão, o setor deve investir em sementes melhoradas, práticas agronômicas, agregação e manejo pós‑colheita.
Além disso, o acesso a sementes certificadas e o fortalecimento de cooperativas podem elevar a competitividade. Consequentemente, aumentam os retornos dos produtores.
Com a demanda global por alimentos nutritivos e sustentáveis em crescimento, o feijão‑mungo ganha espaço entre as exportações agrícolas mais promissoras.
Portanto, para os agricultores dos condados semiáridos, a cultura deixa de ser apenas um alimento tradicional. Ao contrário, passa a gerar renda e a inserir o país nas cadeias internacionais de alimentos.