Resumo da notícia
- Salinas construiu ao longo de décadas uma forte identidade econômica e cultural ligada à cachaça, envolvendo famílias produtoras, comércio e turismo no município.
- A região recebeu em 2012 a Indicação de Procedência e, em 2018, foi nomeada Capital Nacional da Cachaça, fortalecendo seu reconhecimento institucional.
- Produtores tradicionais como Anísio Santiago e Antônio Rodrigues impulsionaram a atividade, que hoje incorpora tecnologias modernas na gestão e cultivo da cana.
Salinas, no Norte de Minas Gerais, construiu ao longo de décadas uma identidade econômica e cultural ligada à cachaça. A atividade atravessou gerações, envolveu famílias produtoras e, com o passar do tempo, também passou a movimentar comércio e turismo no município.
Hoje, essa trajetória convive com mudanças na gestão das propriedades e com a chegada de novas tecnologias ao campo. Ao mesmo tempo, referências construídas ao longo do século passado continuam presentes na memória local.
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Salinas e a história da cachaça
A relação de Salinas com a cachaça ganhou força principalmente entre as décadas de 1940 e 1970. Nesse período, produtores pioneiros ajudaram a consolidar uma atividade que, posteriormente, se tornou uma das principais referências culturais do município.
Entre os nomes associados a essa trajetória está Anísio Santiago, ligado à cachaça Havana. Mais tarde, em 1979, Antônio Rodrigues, conhecido como Toni, fundou a Seleta. Assim, as duas trajetórias passaram a fazer parte da história da cachaça de Salinas.
Com o crescimento da atividade, outros setores também passaram a participar dessa cadeia. Nesse contexto, comércio e turismo encontraram novas oportunidades associadas à projeção do município.
Além disso, o Festival Mundial da Cachaça tornou-se um dos eventos ligados a essa identidade. Como a documentação oficial consultada não permitiu confirmar com segurança toda a cronologia histórica do festival, esta reportagem não atribui uma data específica para seu início.
O reconhecimento institucional veio em 2012, quando a Região de Salinas recebeu uma Indicação de Procedência (IP), modalidade de Indicação Geográfica concedida pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI).
Depois, em 2018, a Lei Federal nº 13.773 concedeu a Salinas o título de Capital Nacional da Cachaça.
Famílias ajudaram a construir essa história
A trajetória de produtores também ajuda a entender como a atividade se consolidou no município.
Na Fazenda Havana, por exemplo, a história começou na década de 1940, quando Anísio Santiago comprou uma pequena propriedade próxima a Salinas. Entre as memórias preservadas pela família está um Chevrolet de 1947 utilizado por ele para transportar e comercializar a produção.
Já a história da Seleta começou em 1979, com Antônio Rodrigues. Inicialmente, a produção era comercializada a granel na região. Com o tempo, porém, a empresa ampliou sua atuação e passou a integrar a história econômica de Salinas.
Dessa forma, essas trajetórias ajudam a mostrar como o conhecimento acumulado nas propriedades passou de uma geração para outra, enquanto novas formas de gestão chegaram ao campo.
Tecnologia chega às propriedades
A modernização também alcançou o cultivo da cana e a gestão das propriedades relacionadas à produção de cachaça.
Na Fazenda Havana, segundo informações fornecidas pela empresa, as mudas são produzidas na própria propriedade e passam por seleção antes do plantio definitivo. Parte das atividades continua manual, enquanto outras utilizam equipamentos modernos.
Na Seleta, também segundo informações fornecidas pela empresa, análises de solo ajudam a orientar o manejo das áreas cultivadas. Além disso, a propriedade utiliza tecnologias para acompanhar a irrigação e organizar determinadas operações agrícolas.
Assim, práticas tradicionais e ferramentas atuais passaram a ocupar diferentes espaços nas propriedades. O trabalho manual permanece em algumas atividades, enquanto equipamentos e sistemas de controle apoiam outras operações.
Nesse processo, o aproveitamento de resíduos agrícolas também ganhou espaço. Nas propriedades citadas, materiais orgânicos podem ser utilizados em práticas como adubação e compostagem.
Da mesma forma, algumas áreas mantêm o cultivo de espécies arbóreas destinadas à utilização futura. Com isso, a iniciativa busca planejar a disponibilidade de madeira para as próximas gerações e reduzir a necessidade de retirada de árvores de áreas naturais.
Minas Gerais concentra parte da atividade nacional
Os dados do Ministério da Agricultura e Pecuária ajudam, por sua vez, a dimensionar a presença da cachaça no país e o peso de Minas Gerais nesse mercado.
Segundo o Anuário da Cachaça 2026, com dados referentes a 2025, o Brasil tinha 1.538 estabelecimentos produtores, distribuídos por 844 municípios.
Minas Gerais liderava entre os estados, com 564 estabelecimentos. Na sequência, São Paulo aparecia com 230, enquanto o Rio Grande do Sul registrava 106.
O levantamento também contabilizou 8.379 produtos registrados no país. Desse total, Minas Gerais concentrava 2.922.
Em 2025, a produção declarada nacional chegou a 234,4 milhões de litros. No comércio exterior, o Brasil exportou 7,95 milhões de litros para 76 destinos, movimentando US$ 17,07 milhões.
Esses números ajudam a dimensionar a cadeia nacional na qual Salinas está inserida. Ao mesmo tempo, mostram que a atividade local faz parte de um setor distribuído por diferentes regiões brasileiras.
Um território marcado pela atividade
A história de Salinas reúne agricultura, famílias produtoras e uma atividade que, ao longo das décadas, ganhou reconhecimento fora do município.
A Indicação de Procedência da Região de Salinas, reconhecida em 2012, formalizou a relação entre território e atividade. Mais tarde, em 2018, o título de Capital Nacional da Cachaça ampliou esse reconhecimento no âmbito federal.
Enquanto as propriedades incorporam novas tecnologias, elementos da história rural permanecem presentes no município. Desse modo, Salinas mantém uma atividade que conecta memória, agricultura e economia local, sem deixar de acompanhar as mudanças que chegam ao campo.