Número de produtores registrados cresce no Brasil, enquanto exportações avançam e o setor acompanha mudanças na tributação das bebidas alcoólicas
cachaça
Foto: Diego Vargas / Seapa

Para celebrar o Dia da Cachaça, celebrado em 13 de setembro, a bebida brasileira amplia sua presença no mercado internacional. Em 2025, o Brasil exportou 7,95 milhões de litros de cachaça para 76 países, um crescimento de 19,4% em relação ao ano anterior, segundo o Anuário da Cachaça 2026, do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).

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Ao mesmo tempo, os produtores acompanham as mudanças na tributação das bebidas alcoólicas no Brasil. Nesse cenário, a regulamentação do Imposto Seletivo, previsto na reforma tributária, ganhou espaço nas discussões do setor.

Cachaça amplia presença no exterior

Além do avanço nas exportações, o setor também aumentou o número de estabelecimentos registrados no país. Em 2025, o Brasil chegou a 1.538 estabelecimentos produtores registrados, alta de 21,5% em relação a 2024 e de 61,7% desde 2018. A produção formal também alcançou mais municípios: ao todo, 844 cidades brasileiras tinham estabelecimentos registrados, número 14,8% superior ao do ano anterior.

Minas Gerais liderou esse ranking, com 564 estabelecimentos. Na sequência, apareceram São Paulo, com 230, e Rio Grande do Sul, com 106. Além disso, o Mapa contabilizou 8.379 produtos de cachaça registrados em 2025.

No comércio exterior, os resultados também chamaram atenção. As exportações movimentaram US$ 17,07 milhões no ano passado, enquanto o produto chegou a 76 mercados.

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Tributação preocupa o setor

Apesar do avanço no exterior, os produtores enfrentam outro cenário no mercado brasileiro. A tributação das bebidas alcoólicas passou a ocupar um espaço importante nas discussões sobre o futuro da cadeia. A reforma tributária prevê a cobrança do Imposto Seletivo sobre bebidas alcoólicas. Por isso, o setor acompanha a regulamentação das novas regras e seus possíveis efeitos sobre a atividade.

O Instituto Brasileiro da Cachaça (IBRAC) defende mudanças no modelo de tributação. Segundo o presidente da entidade, Vicente Bastos, a cachaça já suporta uma carga tributária elevada. De acordo com Bastos, quando consideradas apenas as alíquotas nominais de IPI, a carga sobre a cachaça é cerca de quatro vezes superior à aplicada a outras bebidas alcoólicas.

Essa comparação representa uma avaliação do IBRAC e, portanto, deve ser entendida dentro dos critérios utilizados pela entidade. Para o instituto, o sistema deveria considerar a quantidade de álcool efetivamente consumida na definição da tributação. A entidade argumenta que diferentes bebidas podem apresentar quantidades semelhantes de álcool por porção, mesmo pertencendo a categorias distintas.

Além disso, o IBRAC afirma que uma carga tributária elevada pode aumentar a pressão sobre pequenos e médios produtores e estimular a informalidade.

Projeto pretende oficializar a data

Paralelamente ao debate tributário, o setor acompanha no Senado a tramitação de um projeto que pretende oficializar o Dia Nacional da Cachaça em 13 de setembro. O PL 3.771/2026 está em análise na Comissão de Agricultura e Reforma Agrária.

Embora o setor já celebre a data desde 2009, a oficialização ainda depende da aprovação do projeto pelo Congresso Nacional. A escolha de 13 de setembro remete à chamada Revolta da Cachaça, movimento ocorrido no Rio de Janeiro no século XVII contra restrições impostas pela Coroa portuguesa à produção e à comercialização da bebida.

Assim, o Dia da Cachaça de 2026 chega em um momento de expansão da presença brasileira no exterior e de crescimento da produção formal. Ao mesmo tempo, produtores e entidades acompanham as mudanças na tributação das bebidas alcoólicas e a tramitação do projeto que pode oficializar a data no calendário nacional.