Queda de 23,5% na produção e aumento das importações elevam custos da cadeia
Importações de trigo atingem maior nível desde 2007. Leia e fique por dentro da análise dos pesquisadores do Cepea.

A indústria de moagem de trigo no Brasil intensifica o alerta para um cenário desafiador em 2026, marcado por queda na produção, aumento das importações e instabilidade no mercado internacional. A combinação desses fatores já pressiona os custos da cadeia e pode impactar diretamente os preços de alimentos básicos.

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O trigo, responsável por cerca de 20% das calorias e proteínas consumidas no mundo, segundo a FAO, ocupa papel central na segurança alimentar. No Brasil, o cereal é base para produtos essenciais como pão, massas, biscoitos e bolos, o que amplia os efeitos de qualquer desequilíbrio no abastecimento.

A forte dependência de importações, principalmente da Argentina, mantém o país vulnerável às oscilações externas. De acordo com o presidente-executivo da Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo), Rubens Barbosa, qualquer instabilidade global afeta diretamente custos, disponibilidade e previsibilidade do abastecimento.

Cenário internacional

No cenário internacional, conflitos como a guerra entre Rússia e Ucrânia e as tensões no Oriente Médio seguem pressionando o mercado de commodities. Esse contexto eleva os custos de energia, combustíveis, fretes e seguros, encarecendo a importação do trigo e dificultando o planejamento das indústrias.

No Brasil, os sinais também preocupam. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projeta queda de 23,5% na safra de trigo em 2026, reflexo de fatores climáticos e econômicos, como a redução da área plantada. Com menor oferta interna, a necessidade de importação deve crescer, com previsão de aumento de 1,9 milhão de toneladas em 2027.

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Além disso, o excesso de chuvas no Rio Grande do Sul, principal produtor nacional, já levanta dúvidas sobre produtividade e qualidade do grão. Esse cenário pode reduzir ainda mais o volume disponível da safra em colheita.

Segundo Barbosa, o setor enfrenta uma combinação crítica: menor produção interna, maior dependência externa e custos globais elevados. Esse quadro amplia a complexidade operacional das indústrias moageiras e pressiona toda a cadeia de alimentos.

Farelo de trigo pressiona margens da indústria

O mercado de farelo de trigo também agrava o cenário. A queda nos preços do milho reduziu o valor desse coproduto, essencial para a rentabilidade da moagem. Com menor receita vinda do farelo, a indústria enfrenta maior pressão sobre os custos e sobre o preço final da farinha.

De acordo com a Abitrigo, essa dinâmica impacta diretamente o custo de alimentos amplamente consumidos pela população. Mesmo assim, a entidade reforça que não há risco de desabastecimento no país.

A indústria segue mobilizada para garantir o fornecimento, com foco em planejamento, gestão de riscos e monitoramento constante do mercado. Ainda assim, o setor destaca que o ambiente exige atenção contínua diante das incertezas.