Resumo da notícia
- A Câmara de Comércio Brasil-Canadá articula um corredor internacional entre Ceará e Nova Scotia focado em pesca, inovação oceânica, logística e sustentabilidade para fortalecer a Economia Azul.
- Parcerias com universidades e órgãos canadenses impulsionam pesquisa e integração entre empresas, academia e governo, visando ampliar o valor agregado da cadeia do pescado.
- Ceará lidera produção nacional e exportações de pescado, com alta de 291% entre 2023 e 2025, tornando-se protagonista global na Economia Azul e ampliando oportunidades comerciais com o Canadá.
A Câmara de Comércio Brasil-Canadá (CCBC) lidera uma articulação que coloca o Ceará no centro de um corredor internacional voltado à Economia Azul. A iniciativa conecta o estado brasileiro à província de Nova Scotia, no Canadá, com foco em pesca, aquicultura, inovação oceânica, logística e sustentabilidade.
O projeto reúne empresários, pesquisadores e representantes do setor público dos dois países para criar uma rota estratégica de negócios. A proposta integra produção, tecnologia e investimento com o objetivo de ampliar o valor agregado da cadeia do pescado.
Parcerias estratégicas reforçam eixo Brasil-Canadá
A CCBC aproxima instituições de referência em Nova Scotia, como a Dalhousie University, o Bedford Institute of Oceanography e o COVE, hub de tecnologia oceânica no Porto de Halifax. Essas entidades lideram pesquisas em gestão pesqueira, biodiversidade marinha e inovação aplicada ao setor.
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Além disso, o diálogo já envolve órgãos governamentais canadenses, como Invest Nova Scotia, Invest Halifax e Nova Scotia Intergovernmental Affairs. A estratégia prioriza conexões institucionais para acelerar a integração entre empresas, academia e governo.
Exportações em alta impulsionam aproximação
O avanço da parceria ocorre em meio ao crescimento consistente do comércio bilateral de pescado. Entre janeiro e maio de 2026, o Brasil exportou US$ 1,82 milhão para o Canadá. O Ceará respondeu por US$ 217,4 mil, o equivalente a 11,9% do total.
O desempenho do estado chama atenção. Entre 2023 e 2025, as exportações cearenses saltaram de US$ 525 mil para US$ 2,05 milhões, alta de 291%. No mesmo período, o Brasil ampliou as vendas de US$ 2,7 milhões para US$ 7,3 milhões, crescimento de 167%.
Ceará lidera produção e ganha protagonismo internacional
O Ceará concentra cerca de 25% das exportações brasileiras de pescado e movimentou US$ 93,8 milhões em 2024. O estado também lidera a produção nacional de aquicultura marinha e responde por mais da metade da produção do Nordeste.
Esse desempenho colocou o estado no radar global da Economia Azul. Segundo Igor Gonçalves, coordenador do Chapter Ceará da CCBC, a complementaridade entre os mercados motivou a aproximação.
Ele destaca que a Economia Azul permite resultados mais rápidos ao integrar comércio, tecnologia e inovação em um mesmo ecossistema.
Complementaridade entre mercados abre oportunidades
O Canadá demanda espécies tropicais e produtos premium, como pargo congelado, atum, lagosta e tilápia. O pargo (Lutjanus purpureus) lidera as exportações cearenses para o país.
Por outro lado, o Brasil importa principalmente vieiras congeladas, que representam cerca de 90% das compras de pescado canadense. Há espaço para ampliar o fluxo com produtos como bacalhau, salmão e lagosta de águas frias.
Corredor vai além da exportação de pescado
A iniciativa prevê mais do que comércio direto. O projeto inclui processamento de pescado, intercâmbio tecnológico e atração de investimentos bilaterais.
Entre as possibilidades, está a instalação de unidades de processamento no Canadá com participação de empresas brasileiras. Essas estruturas podem atender o mercado local e ampliar o acesso a outros países.
Para a CCBC, a combinação entre a capacidade produtiva do Ceará e a tecnologia de Nova Scotia cria um ambiente favorável para expandir a competitividade e gerar novos negócios na Economia Azul.








