Resumo da notícia
- Produtores que adotam a calagem focada na saturação de magnésio na CTC do solo alcançam produtividades de soja superiores a 130 sacas por hectare, muito acima da média nacional de 60 sacas.
- O equilíbrio entre cálcio e magnésio em diferentes camadas do solo é crucial para a absorção de nutrientes e o desenvolvimento do sistema radicular, permitindo que a soja explore camadas mais profundas.
- A técnica aplicada na Fazenda Santa Bárbara garantiu 135,49 sacas por hectare mesmo após 18 dias sem chuva, evidenciando maior resiliência hídrica e eficiência no uso da água pelo sistema radicular mais verticalizado.
Enquanto a média nacional da soja no Brasil ronda cerca de 60 sacas por hectare, um grupo de produtores já está chegando a 90, 100 e até mais de 130 sacas por hectare. O que separa essas lavouras não é a semente, mas uma mudança radical na forma de pensar a calagem e a fertilidade do solo. O ponto central é um nutriente ainda pouco valorizado: o magnésio, analisado pela saturação na CTC em diferentes camadas do perfil
O método que destrava a produtividade da soja (e o que você está ignorando no solo)
O agrônomo Leandro Barcelos, por trás do recorde de 135,49 sacas por hectare da Agro Mallon no CESB 2025, defende que o limite produtivo da soja está menos na planta e mais na lógica herdada desde a década de 1990. A calagem tradicional foca em elevar o pH e o cálcio na camada de 0 a 20 cm, como se o solo fosse apenas um piso úmido.
Barcelos propõe outro caminho: desenhar a arquitetura química do perfil do solo, com cálculo por saturação de magnésio na CTC nas camadas de 0–20 cm e 20–40 cm. Segundo ele, o foco quase exclusivo no cálcio mascara o fato de que o magnésio é o fator limitante em boa parte das fazendas. Solos tecnicamente “corrigidos” podem estar travando o sistema radicular por falta de equilíbrio entre cálcio e magnésio.
Sem esse equilíbrio, a planta trava a clorofila e perde a capacidade de absorver fósforo, mesmo quando o nutriente é aplicado em doses altas. O produtor pode usar o melhor adubo do mercado, mas a porta de entrada da planta continua semi‑fechada.
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Magnésio na CTC: a porta de entrada
A lógica de saturação de magnésio na CTC coloca o nutriente no centro da decisão de calagem. O carbonato de magnésio, por exemplo, tem maior dificuldade de dissociação que o do cálcio. Se o produtor não domina essa dinâmica, o investimento fica parado na superfície e não vira produtividade.
Construir um perfil químico em profundidade elimina a “barreira invisível” que condena a soja a explorar só a superfície. Isso reflete diretamente na capacidade da planta de acessar água em camadas mais profundas. O resultado é um sistema radicular mais verticalizado, com raízes que descem até cerca de 1,5 metro, em vez de se espalharem apenas perto do solo.
A planta sai da estaca zero com mais força, preparada para janelas de estresse hídrico. Barcelos compara com um produtor que investe fortunas em fertilizantes de última geração, mas deixa a porta de entrada da planta bloqueada. O resultado é lavoura morrendo de sede com água logo abaixo, porque o solo foi tratado como um depósito de insumos, não como um sistema biológico vivo.
Como 18 dias de veranico não abateram 135 sacas/ha
A prova de fogo do método veio na safra 2024/25, na Fazenda Santa Bárbara (Canoinhas/SC), unidade da Agro Mallon. O produtor Charles Adriano Breda colheu 135,49 sacas por hectare mesmo com 18 dias seguidos sem chuva. Para Barcelos, essa resiliência hídrica não é sorte e sim consequência direta da correção do perfil do solo.
Com magnésio e cálcio equilibrados, a soja consegue aprofundar o sistema radicular e acessar o CAD em camadas de até 1,5 metro de profundidade. Esse comportamento vertical é o que sustenta a produtividade em períodos de estresse. Um ponto pouco explorado é a relação entre potássio e magnésio na CTC. Muitos produtores aumentam o K para ganhar peso de grão, mas sem magnésio adequado, ocorre inibição competitiva.
Os nutrientes competem entre si e a planta perde produtividade. Essa combinação, aliada ao ajuste de calagem e adubação, fez a lavoura de Breda superar a média nacional de censo, em torno de 59 sacas por hectare, e a média auditada do CESB, próxima de 96 sacas por hectare. A fazenda se tornou campeã nacional de produtividade de soja sequeira.
Histórias reais: de 60 para 90, 100 e mais
A metodologia de “A Raiz da Solução” já é testada em dezenas de fazendas, com ganhos estruturais de produtividade mesmo em safra de clima apertado. No Cerrado Mineiro, o engenheiro agrônomo e produtor Eduardo Primon conta que o manejo focado em raiz e fisiologia elevou a média da fazenda de 70 para 90,5 sacas por hectare. Em áreas monitoradas, a lavoura chegou a 107 sacas por hectare.
A estratégia passa por preparar a planta para o “embate” contra o clima ainda na fase de planejamento. O ajuste de fertilidade, calagem e profundidade do sistema radicular é feito antes do plantio. No Rio Grande do Sul, Márcio Natalli partiu de uma média de 60 sacas por hectare e chegou a 90 sacas graças ao investimento em construção do perfil do solo. Enquanto vizinhos sentiam o impacto do veranico, sua soja permanecia verde e a procurar água no fundo.
Isso só é possível porque o sistema radicular atua onde o manejo comum não chega. Em Goiás, Francisco Luçardo também rompeu a barreira de 70 sacas, atingindo 100 sacas por hectare com ajuste nutricional profundo. A mensagem é a mesma: não basta colocar adubo; é preciso garantir que o solo esteja equilibrado em profundidade para que a planta absorva tudo o que é oferecido. O investimento vira saca, e saca vira lucro.
Sair do “balcão” e virar engenheiro da própria lavoura
Para Leandro Barcelos, o maior gargalo não é falta de tecnologia, e sim a dependência de pacotes prontos de revendedor. O produtor precisa parar de ficar na mão do balcão de vendas e de aceitar receitas que nem sempre a terra dele precisa. Lucratividade máxima só vem quando ele conquista independência técnica.
Isso significa saber olhar para a análise de solo e decidir, com critério, o que vai aplicar, quando, qual fonte e em qual momento. É essa autonomia que sustenta a produtividade real, ajustada ao tempo e ao orçamento de cada fazenda. Parte dessa independência passa por capacitação técnica.

Barcelos lança uma série gratuita de três aulas online, “As Verdades Ocultas para Colher Mais Soja”. Ela serve como porta de entrada para o evento presencial “ARDS Experience” e para o programa “A Raiz da Solução 2.0”. O objetivo é ajudar o produtor a construir um perfil de solo resiliente, atingir produtividades de três dígitos e respeitar sempre custo‑benefício e lucratividade.








