Grupo do setor de máquinas agrícolas atribui crise a queda no preço da soja e do milho e à dependência da parceria com a Stara
Um das unidades do Grupo Tecnomaac
Foto: Divulgação

Um grupo empresarial ligado à família fundadora da Tecnomaac, revenda de máquinas e implementos agrícolas de Maracaju, no Mato Grosso do Sul, deu entrada em um pedido de recuperação judicial na Justiça de Dourados. Segundo a petição, o conjunto de empresas soma uma dívida de R$ 277,3 milhões, distribuída entre passivos trabalhistas e obrigações bancárias.

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Logomarca do Grupo Tecnomaac
Foto: Divulgação

Do total informado, R$ 104,95 milhões correspondem a créditos extraconcursais, parcela que fica fora do processo de recuperação judicial e continua sujeita à cobrança normal.

Como a Tecnomaac nasceu da experiência do fundador com máquinas agrícolas

O empresário Joares fundou o Grupo Tecnomaac em 2002, depois de acumular 30 anos de experiência no setor de máquinas e implementos agrícolas. Em 2004, ele e a esposa criaram a MAAC Tratores, Peças e Implementos Agrícolas, base do negócio familiar.

A virada estratégica ocorreu em 2007, quando o grupo firmou contrato de exclusividade com a fabricante Stara, um de seus fornecedores. Esse acordo deu origem à Tecnomaac, Tecnologia, Serviços, Comércio de Peças e Implementos Agrícolas. A partir daí, a empresa concentrou suas atividades em venda, demonstração, assistência e suporte aos equipamentos Stara, sem revender marcas concorrentes. O grupo chegou a operar três lojas dedicadas exclusivamente à marca, com equipe própria.

Dependência da parceria com a Stara marca o faturamento do grupo

Segundo os autos, entre 7 de julho de 2025 e 7 de julho de 2026 o faturamento global das empresas somou aproximadamente R$ 83,6 milhões. Desse montante, cerca de R$ 72,57 milhões, mais de 80% do total, vieram exclusivamente da Tecnomaac, o que evidencia o peso da parceria com a fabricante gaúcha na receita do grupo.

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A petição descreve a formação de uma relação de intensa dependência econômica entre a operação do grupo e a continuidade do vínculo comercial com a Stara. Segundo os representantes da família, o crescimento do negócio foi sustentado principalmente pela geração de caixa das próprias atividades. Pois os sócios não dispunham de capital próprio suficiente para financiar toda a expansão.

Queda no preço da soja e do milho agravou a crise financeira

Enquanto o mercado agrícola permaneceu aquecido e o giro das máquinas ocorreu dentro dos prazos esperados, a estrutura financeira do grupo se manteve sustentável, aponta a petição. O problema surgiu quando os investimentos passaram a depender de recursos de curto prazo, criando uma exposição financeira elevada no momento em que o mercado e a produtividade agrícola começaram a se deteriorar.

Joares também adquiriu diversas fazendas no período e passou a produzir soja e milho. Mas foi atingido pela queda das cotações. Depois de um ciclo de expansão favorecido pelos resultados da pandemia, o setor agrícola enfrentou sucessivas dificuldades: as safras de soja e milho registraram produtividade inferior à esperada e os preços das commodities recuaram de forma expressiva. O preço da saca de soja, que havia alcançado cerca de R$ 200, caiu para a faixa de R$ 100 a R$ 115.

Grupo pede consolidação substancial e manutenção do contrato com a Stara

Os requerentes pedem que todas as empresas do grupo sejam tratadas conjuntamente no processo, por meio da chamada consolidação substancial. O argumento é a existência de forte integração financeira, societária e operacional entre as empresas e a atividade rural da família.

A petição também solicita a manutenção da relação comercial entre a Tecnomaac e a Stara, da qual a revenda se apresenta como fornecedora exclusiva na região. Essa atividade responde pela maior parte do faturamento do grupo. Entre janeiro e agosto de 2026, as pessoas jurídicas faturaram R$ 37,78 milhões, dos quais R$ 29,72 milhões vieram da Tecnomaac.

Além disso, outro pedido é a concessão do stay period, mecanismo que suspende temporariamente ações e execuções contra os devedores. Segundo o grupo, a medida evitaria bloqueios de bens que comprometeriam a reorganização financeira e o próximo ciclo da atividade rural.

Juiz exige mais documentos e questiona escolha de Dourados como foro

Ao receber a ação, o juiz César de Souza Lima determinou que os autores complementem a petição inicial em 15 dias, anexando documentação sobre as causas da crise financeira, dados financeiros concretos, o contrato firmado com a Stara e provas da integração entre as empresas e os produtores rurais do grupo.

O magistrado também quer entender por que a ação foi protocolada em Dourados, e não em Maracaju, município onde a Tecnomaac está sediada. Além disso, exigiu que os documentos sejam apresentados no formato adequado ao sistema judicial e organizados nas categorias corretas. E determinou sigilo para as declarações de bens e os extratos bancários das partes, por conterem informações protegidas pelo direito à intimidade.

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