Resumo da notícia
- Faesp pediu ao Mapa e MDIC ações para proteger produtores diante do aumento das importações de morango congelado egípcio, que já representa até 30% do mercado nacional e pressiona a indústria local.
- As compras externas de morango congelado cresceram quase 35% em 2026, com 93,4% das importações vindas do Egito, beneficiadas pelo acordo comercial do Mercosul que reduziu tarifas desde 2017.
- O preço mais competitivo do morango egípcio, importado a cerca de US$ 1/kg, ameaça a rentabilidade dos produtores brasileiros, que enfrentam custos médios superiores, afetando especialmente pequenos agricultores.
A Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp) enviou ofícios ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) pedindo medidas de proteção comercial diante do salto nas importações de morango congelado egípcio. A entidade afirma que o produto chega ao Brasil a preços abaixo do custo de produção nacional e já pressiona a rentabilidade dos produtores rurais.

Segundo dados do Comex Stat/MDIC citados pela Faesp, o Brasil importou cerca de 42 mil toneladas de morango congelado em 2025, das quais 83% vieram do Egito. Entre janeiro e julho de 2026, as compras externas já somaram 34 mil toneladas, com 93,4% (32 mil toneladas) de origem egípcia. Ou seja, um crescimento de quase 35% na comparação com o mesmo período do ano anterior.
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O volume total importado em 2025 representou cerca de 30% do mercado brasileiro de morango congelado. No acumulado até julho de 2026, essa fatia já chega a 25% da oferta interna. Com a expectativa de novas remessas até o fim do ano, o produto estrangeiro ocupa hoje um espaço que tradicionalmente pertencia à produção nacional destinada ao processamento industrial.
O que explica o avanço do produto egípcio
O crescimento das importações não é um movimento repentino. Ele está ligado ao acordo comercial firmado em 2010 entre o Mercosul e o Egito, regulamentado no Brasil em 2017 pelo Decreto nº 9.229, que estabeleceu a redução gradual das tarifas de importação. A partir de 2022, o morango egípcio passou a entrar no mercado brasileiro com preços mais competitivos, e foi esse o ponto de virada que impulsionou o avanço das compras externas registrado nos anos seguintes.
A diferença de custos ajuda a explicar por que produtores brasileiros veem o avanço egípcio como ameaça concreta. Segundo reportagem do Diário do Comércio publicada em abril de 2026, um produtor de Minas Gerais, estado que lidera a produção nacional da fruta, relatou custo médio de R$ 4,50 por quilo, enquanto o morango congelado egípcio entrou no Brasil, em 2025, a um preço médio de US$ 1 (R$ 5,16) por quilo, segundo dados do MDIC citados pela mesma reportagem.

O morango congelado tem menor valor agregado que a versão in natura vendida no varejo. E é destinado sobretudo à indústria de processamento de alimentos, geleias, sucos e doces industrializados. Por isso, a disputa por esse mercado específico afeta diretamente a renda de pequenos produtores que dependem da venda para a indústria.
Não é o primeiro alerta ao governo
O ofício da Faesp reforça uma preocupação já levantada por outra entidade do setor. A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) já havia notificado o Mapa e o MDIC sobre o crescimento das importações e seus impactos na produção nacional, por meio da Nota Técnica nº 14/2026. Os dados atualizados até julho de 2026 reforçam, segundo a Faesp, a necessidade de um acompanhamento contínuo da situação.
Nos ofícios enviados aos dois ministérios, a Faesp solicita três providências. Acompanhamento permanente das importações e de seus efeitos econômicos. Depois, avaliação técnica sobre os impactos na produção brasileira. E pro fim, apoio na consolidação de informações que possam subsidiar, caso os requisitos legais sejam atendidos, eventuais medidas de defesa comercial.